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Câmara da Amadora exclui cego de concurso
Nuno Antunes, de 30 anos, tenta ingressar há cinco no mercado de
trabalho.
Mas em cada entrevista depara-se com o mesmo obstáculo: a cegueira.
"Faço os
testes, mas depois não me chamam", conta sobre as inúmeras
entrevistas em
que participou. Mas quando Nuno já pensava ter visto de tudo, eis que
é de
novo
surpreendido.
"Candidato excluído, considerando que a incapacidade visual do mesmo
não lhe
permitirá, mesmo que com as necessárias adaptações, neste caso,
desenvolver
as funções que são atribuídas..." O comunicado chegou às mãos do
jovem por
carta, em resposta à candidatura para um concurso público de animador
social
aberto pela Câmara Municipal da Amadora. Nuno não queria acreditar.
"O
argumento que me levou a tirar o curso de animador - trabalhar com
pessoas
de risco
- é o mesmo que agora me exclui do concurso", ironiza o jovem, segundo
o
qual a questão da perigosidade "não passa de uma desculpa
esfarrapada", já
que
"o animador social nunca vai para o terreno sozinho".
Esta situação surge dois meses depois de ser publicada no Diário da
República a lei que pune como discriminatórias as medidas que
dificultem a
contratação
de alguém, por factores de natureza física ou mental. José Correia,
presidente da ACAPO, já teve conhecimento do caso e tem uma palavra a
dizer:
"Este
é um comportamento discriminatório, mas também de má-fé das
pessoas que
estão a analisar as candidaturas e que, a meu ver, deveriam ser
afastadas
das suas
funções."
Vereadora defende autarquia
Carla Tavares, vereadora dos Recursos Humanos da Câmara Municipal da
Amadora, afirma que a autarquia "está tranquila" relativamente ao caso
de
Nuno Tavares
e que a situação do candidato está a ser analisada pelo gabinete
jurídico.
Por agora, a vereadora adianta que esta "não é uma situação
discriminatória"
porque "até há outras pessoas com deficiência a trabalhar nos
quadros da
autarquia, nomeadamente um telefonista invisual". Segundo Carla
Tavares, o
caso
de Nuno Antunes é diferente dos outros porque as funções para o
cargo
implicam "trabalhar com pessoas de risco, estar diariamente no terreno
e ter
facilidade
de mobilidade". Além disso, "trata-se de uma vaga aberta ao abrigo de
um
projecto específico, que não implica entrada para o quadro da
Câmara".
Nuno Antunes não se deixa convencer e, para já, apresentou um recurso
hierárquico que suspende o concurso por três meses.