Acabamos de receber um telefone avisando que a repressão policial, neste
momento, no morro da Providência, é bem forte.
Três jovens mulheres da Rede de Comunidades contra a Violência que foram
para lá, hoje, conversar com os moradores sobre a ação policial no dia de
ontem, estão pedindo a presença da imprensa para proteger os moradores de
possíveis violações aos direitos humanos.
De acordo com o relato recebido, por volta das 19h, um grupo de policiais
militares do 2º Batalhão chegou, no caveirão e em outros carros, e atirou na
direção das jovens.
Segue abaixo o comunicado.
*Renajorp - Rede Nacional de Jornalistas Populares*
http://www.renajorp.net
*URGENTE: PM de vários batalhões atacam na Providência. Favela está às
escuras, moradores e crianças não puderam subir para suas casas*
Recebemos há pouco informações de vários moradores da Providência que
policiais militares, desde as 15h [desta sexta, 07/11], estão atirando a
esmo e aterrorizando toda a favela. Embora ali seja área de atuação apenas
do 5o BPM, viaturas de outros batalhões distantes (3o, 6o e 16o BPM) também
foram vistas na comunidade. Os policiais alvejaram transformadores e a
favela está às escuras, o que aumenta o pavor dos moradores.
Muitos moradores e inclusive crianças que saíram das escolas não puderam
subir o morro devido à ação da PM e os tiros. Todo mundo está trancado em
suas casas e com muito medo do que pode acontecer. Não se sabe se alguém já
foi ferido.
Essas incursões de policiais de outros batalhões na favela já acontecem há
mais de três meses, queixas e denúncias foram feitas ao comando da PM, à 4a
DP e à Secretaria de Segurança, mas nada foi feito. A imprensa também tem se
limitado a reproduzir a versão distorcida da PM. A ação desses policiais de
outros batalhões, conhecidos como violentos, acontece de preferência em dias
onde habitualmente haveria grande movimentação dos moradores nas ruas, bares
e quadras da comunidade, como hoje (sexta-feira), demonstrando uma intenção
de amedrontar a comunidade e impedi-la de aproveitar as horas de lazer.
Pedimos que todos estejam atentos para novas denúncias, repassem a
informação para a imprensa e órgãos de defesa dos direitos humanos.
Comissão de Comunicação da Rede.