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Manifesto em defesa do MST: Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais
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Jornalistas Populares  
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 Mais opções 26 out, 19:27
De: Jornalistas Populares <cont...@renajorp.net>
Data: Mon, 26 Oct 2009 20:27:35 -0200
Local: Seg 26 out 2009 19:27
Assunto: Manifesto em defesa do MST: Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais

26/10/2009  Manifesto em defesa do MST

*Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais.
Assinam este manifesto diversos intelectuais, ativistas e lideranças.*

As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas,
imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico
Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a
derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade
das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de
uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares.
Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente
como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há
nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha
sido obra dos sem-terra.

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto
representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em
acampamentos precários desejando produzir alimentos.

*Bloquear a reforma agrária*

Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de
produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo
agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o
foco do debate agrário é deslocado dos responsáveis pela desigualdade e
concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão
dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das
grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria,
assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das
classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social
brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva
contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o
movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as
corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma
agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e
ambientais, como única alternativa para a agropecuária brasileira.

*Concentração fundiária*

A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o
Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores
do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as
propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas
propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do
agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do
primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema
violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009
foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas,
ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no 1º semestre de 2009. Ao
todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte
e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.

*Não violência*

A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda
que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado
e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As
ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a
soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores.
Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela
maioria da população brasileira.

*Contra a criminalização das lutas sociais*

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se
engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais,
realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à
criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.

*Assinam esse documento: *

   - Eduardo Galeano - Uruguai
   - István Mészáros - Inglaterra
   - Ana Esther Ceceña - México
   - Boaventura de Souza Santos - Portugal
   - Daniel Bensaid - França
   - Isabel Monal - Cuba
   - Michael Lowy - França
   - Claudia Korol - Argentina
   - Carlos Juliá – Argentina
   - Miguel Urbano Rodrigues - Portugal
   - Carlos Aguilar - Costa Rica
   - Ricardo Gimenez - Chile
   - Pedro Franco - República Dominicana

*Brasil:*

   - Antonio Candido
   - Ana Clara Ribeiro
   - Anita Leocadia Prestes
   - Andressa Caldas
   - André Vianna Dantas
   - André Campos Búrigo
   - Augusto César
   - Carlos Nelson Coutinho
   - Carlos Walter Porto-Gonçalves
   - Carlos Alberto Duarte
   - Carlos A. Barão
   - Cátia Guimarães
   - Cecília Rebouças Coimbra
   - Ciro Correia
   - Chico Alencar
   - Claudia Trindade
   - Claudia Santiago
   - Chico de Oliveira
   - Demian Bezerra de Melo
   - Emir Sader
   - Elias Santos
   - Eurelino Coelho
   - Eleuterio Prado
   - Fernando Vieira Velloso
   - Gaudêncio Frigotto
   - Gilberto Maringoni
   - Gilcilene Barão
   - Irene Seigle
   - Ivana Jinkings
   - Ivan Pinheiro
   - José Paulo Netto
   - Leandro Konder
   - Luis Fernando Veríssimo
   - Luiz Bassegio
   - Luis Acosta
   - Lucia Maria Wanderley Neves
   - Marcelo Badaró Mattos
   - Marcelo Freixo
   - Marilda Iamamoto
   - Mariléa Venancio Porfirio
   - Mauro Luis Iasi
   - Maurício Vieira Martins
   - Otília Fiori Arantes
   - Paulo Arantes
   - Paulo Nakatani
   - Plínio de Arruda Sampaio
   - Plínio de Arruda Sampaio Filho
   - Renake Neves
   - Reinaldo A. Carcanholo
   - Ricardo Antunes
   - Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
   - Roberto Leher
   - Sara Granemann
   - Sandra Carvalho
   - Sergio Romagnolo
   - Sheila Jacob
   - Virgínia Fontes
   - Vito Giannotti

*Para subscrever esse manifesto, clique no link:*
http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html

--
www.renajorp.net


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