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Fwd: Interno G-POPAI | Biblio-shopping
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Everton Zanella Alvarenga  
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 Mais opções 9 fev, 01:25
De: Everton Zanella Alvarenga <everton...@gmail.com>
Data: Tue, 9 Feb 2010 01:25:45 -0200
Local: Ter 9 fev 2010 01:25
Assunto: Fwd: Interno G-POPAI | Biblio-shopping

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Ana Paula Bianconcini Anjos <>

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*Biblio-shopping*

*Menina dos olhos da Secretaria de Estado da Cultura, Biblioteca de São
Paulo é aberta com alarde e tenta atrair o público com eventos, best-sellers
e computadores *

Filipe Redondo/ Folha Imagem
*Instalada no Parque da Juventude, onde funcionou a prisão do Carandiru, a
Biblioteca de São Paulo possui acervo de 30 mil livros*

*ANA PAULA SOUSA*
DA REPORTAGEM LOCAL

No final da tarde da última quinta-feira, arrematou-se o último detalhe da
festa. Com ar triunfante, o responsável pela área tecnológica da Biblioteca
de São Paulo exibiu, para a diretora Magda Montenegro, a primeira
carteirinha de sócio. O documento será entregue hoje ao governador José
Serra, durante a inauguração do espaço.
"Não é uma ótima ideia dar para ele a carteirinha número um?", pergunta,
sorridente, a bibliotecária.
Vinda de uma biblioteca universitária, no Rio de Janeiro, Montenegro está
cheia de entusiasmo com o novo projeto, orçado em R$ 12,5 milhões e filho
protegido do secretário de Cultura, João Sayad. "O secretário me liga todos
os dias e já deu a ordem: "Saiu um livro, compra logo". Este lugar vai fazer
sucesso porque não é soturno e não vai ter bibliotecário pedindo silêncio. É
um espaço acolhedor, colorido."
No prédio instalado no Parque da Juventude, onde árvores tentam apagar as
lembranças da Casa de Detenção do Carandiru, tudo cheira a novo. E ambiciona
certa modernidade.
Numa área de 4,2 mil metros quadrados, entre pufes roxos, mesas alaranjadas
e pinturas lúdicas nos vidros, vê-se computadores, leitores de braille, DVDs
e exemplares de "A Cabana" e "Crepúsculo".
"Queríamos um lugar que dessacralizasse a imagem da biblioteca e fosse
atraente para o público não leitor", diz o secretário João Sayad que,
habitualmente avesso a entrevistas, mostra prontidão quando o tema é a
biblioteca. "Não seguiremos uma orientação acadêmica. Vamos destacar os
livros que aparecem nas listas dos mais vendidos na mídia. Pedi para que
fosse organizada como livraria, mais do que como biblioteca. Até os
funcionários vão se comportar como vendedores. Será uma megastore cultural."
O espaço está apto a receber 800 pessoas por hora, mas a secretaria prefere
não expor a previsão de público.
As inspirações declaradas do projeto são as bibliotecas de Santiago, no
Chile, e de Bogotá, na Colômbia. "Espero que a gente atraia principalmente
crianças e jovens. Mas, claro, não ficarei frustrado se tiver lá aposentados
lendo jornal", diz Sayad. "Minha única briga foi para que os especialistas
cedessem ao gosto comum. As compras serão norteadas pela demanda dos
leitores."
Responsável pelo setor de bibliotecas da secretaria, Adriana Ferrari segue a
cartilha de Sayad e defende que, quietos numa prateleira, os livros não
atraem o público. "Tem que ter estratégias de atração", diz. "As
bibliotecas, normalmente, funcionam em horário de repartição pública. Nós
funcionaremos todos os dias [menos às segundas-feiras], estamos ao lado de
um parque e teremos uma agenda de eventos movimentada, com filmes,
contadores de história, circo e shows."
Para erguer o espaço, a secretaria aplicou R$ 10 milhões do próprio
orçamento e contou com R$ 2,5 milhões de um programa destinado ao estímulo à
leitura, do Ministério da Cultura (MinC). Anualmente, haverá R$ 1 milhão
para compras.
Questionado sobre o porquê de tamanho investimento num novo espaço enquanto
outras bibliotecas definham, Sayad observa que a nova biblioteca servirá
também como centro de treinamento para as 941 bibliotecas municipais que
integram o sistema do Estado. "O objetivo da secretaria na área de
literatura é incentivar a leitura. E achamos que a biblioteca fará isso",
limita-se a dizer.
Sayad refuta a ideia de que sua administração seja norteada pelas grandes -
e visíveis - obras, como o Museu do Futebol e as escolas de circo e teatro,
ainda não inauguradas. "Não se pode dizer isso, não", rebate.
"Temos 18 obras em andamento, mas não são marcadas pela grandiosidade. Como
poder público, temos que preservar a cultura que não se viabiliza sozinha."
Os best-sellers não se viabilizam? "Sim, mas o público, em geral, não tem
acesso a eles."

------------------------------
*BIBLIOTECA DE SÃO PAULO*

*Onde:* av. Cruzeiro do Sul, 2.630 (ao lado do metrô Carandiru)
*Quando:* ter. a sex., das 9h às 21h, sáb., dom. e feriados, das 9h às 19h
(abertura para o público amanhã)
*Quanto:* entrada gratuita

São Paulo, segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010
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*Importantes acervos de SP estão com destino incerto*

DA REPORTAGEM LOCAL

Na biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital, o colorido se resume
às capas dos livros. E olhe lá. Muitos deles têm a sobriedade das edições
antigas. Está ali, por exemplo, discreta, à espera de um leitor, a segunda
edição de "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa, datada de 1958.
Fechada para obras desde 2008, a biblioteca deve ser reaberta, para
empréstimos, em março. Mas a conclusão da reforma tardará.
"É uma reforma muito difícil, que foi adiada por 30 anos e avança
devagarinho", diz o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil
que, para dimensionar o problema, recorda uma notícia publicada pela "Folha
da Manhã", em 1957. À altura, depois de uma chuva que atingira as estantes,
o diretor Sérgio Milliet dizia que a biblioteca havia chegado ao limite.
"Ela foi abandonada pela sociedade", diz Calil.
Padeceram também de abandono as outras 55 bibliotecas municipais.
"Reformamos 36 delas e, em 2009, tivemos 1,4 milhões de frequentadores e
emprestamos um milhão de livros", contabiliza o secretário, em defesa da
ideia de que existe, sim, uma demanda reprimida. "Prova disso são os
ônibus-biblioteca. As pessoas podem não procurar livros, mas quando tropeçam
numa biblioteca ambulante, ficam fascinadas."
Difícil é tropeçar nos livros. Além da Mário de Andrade, tem-se, na
contramão da acessibilidade, o caso da biblioteca do Museu Lasar Segall. O
mais importante acervo de livros de teatro, cinema e artes do Brasil está
sem destino. "O espaço chegou ao limite. Está em negociação um novo lugar",
diz Jorge Schwartz, diretor do museu.
*(APS)
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* São Paulo, segunda-feira, 08 de fevereiro de 2010
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Frases

Não seguiremos uma orientação acadêmica. Pedi para que fosse organizada como
livraria, mais do que como biblioteca. Os funcionários vão se comportar como
vendedores. Será uma megastore cultural
JOÃO SAYAD,
secretário estadual de Cultura

Não estou certo de que os livros, sozinhos, não sejam capazes de atrair
leitores. Mas vivemos no império da imagem e da mídia e só o cotidiano vai
revelar se um projeto como esse fará sucesso com o público ou não
JORGE SCHWARTZ,
diretor do Museu Lasar Segall, cuja biblioteca está à espera de um novo
local para funcionar

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