----- Original Message -----
From: <brunoroch
...@gmail.com>
To: <brunoroch
...@gmail.com>
Sent: Friday, October 23, 2009 8:18 PM
Subject: TI Master: indicacao de uma materia da revista TI
> Certificação X formação acadêmica
> Segundo estudo da Assespro-RJ, as empresas valorizam mais o treinamento
> técnico direcionado. Universidades buscam formas de se aproximar do
> mercado
> Por Alessandra Duarte
> O que é melhor: uma graduação sólida ou um bom programa de certificação
> técnica? A formação desejada de mão-de-obra técnica também foi discutida
> no workshop Formação de Recursos Humanos em Tecnologia da Informação para
> o estado do Rio de Janeiro, que entre os dias 4 e 6 de setembro reuniu, no
> Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), profissionais e
> representantes da área de TI do Governo do Rio, das empresas privadas e do
> meio acadêmico.
> Segundo um estudo da Assespro-RJ (Associação das Empresas Brasileiras de
> Software e Serviços de Informática) com suas 194 empresas associadas,
> feito especialmente para o evento e apresentado pelo seu
> diretor-executivo, Newton Palhano, o que as companhias de TI querem mesmo
> é uma formação técnica - ou seja, profissionais que cheguem para resolver
> um problema e não para pensar em novas tecnologias. São, enfim, as famosas
> certificações Cisco, Microsoft, Oracle e por aí vai.
> Isso não significa que a apologia à certificação seja uma unanimidade.
> Carlos Lucena, professor de Informática e coordenador do Laboratório de
> Engenharia de Software da PUC-RJ, preferiu abordar o outro lado da moeda:
> a qualidade da formação no meio acadêmico brasileiro. Em sua palestra,
> declarou que a exigência legal de um currículo mínimo na faculdade gera
> problemas de atualização do conhecimento adquirido pelo aluno.
> - Se você entra no ano X na universidade, não pode deixar de cursar
> nenhuma das matérias que existiam naquele ano na grade curricular. Só que,
> daqui a cinco anos, que é quando você vai estar terminando o curso, as
> matérias daquela época já estarão obsoletas para o mercado - analisou.
> O conselho que Lucena deu aos estudantes da área tecnológica foi, então,
> procurar matérias eletivas mais atuais. No fim das contas, acontece o que
> cansamos de ouvir por aí: meio acadêmico dissociado do mercado, abrindo
> uma brecha para as certificações de fabricantes entrarem.
> Uma solução para esse descompasso entre conhecimento acadêmico e de
> mercado foi proposta pelo palestrante Pedricto Rocha Filho, subsecretário
> de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro. Rocha Filho expôs os
> planos do Governo estadual de criar uma formação de Tecnólogo, que
> combinaria teoria e prática.
> - Não seria nem uma graduação nem um "tecnicão", no sentido pejorativo. Só
> que isso é uma coisa que estamos começando a incentivar, mas que tem que
> contar com a iniciativa das instituições de ensino também.
> Outra conseqüência de uma estrutura que separa formação universitária de
> mercado é que o meio acadêmico, dessa maneira, passa a ser produtor de
> conhecimento puro, sem a preocupação com uma eventual aplicação prática.
> A demonstração desse segundo problema veio à tona na palestra de Ivan
> Moura Campos, coordenador do Comitê Gestor da Internet e
> diretor-presidente da Akwan Information Technologies. De acordo com uma
> pesquisa mostrada por ele, a responsabilidade pela inovação tecnológica no
> Brasil fica para as universidades - 56,7% dessa inovação vêm da Academia,
> enquanto os institutos de pesquisa ficam com 12,3% e a indústria, com
> apenas 8,7%. Nos Estados Unidos, a situação é inversa. A indústria é a
> grande fonte de inovação e criação tecnológica (cerca de 76%).
> - O problema aqui no Brasil é que, para nós, empresa é que gera riqueza.
> Ciência não vira PIB na nossa concepção. O contribuinte não entende por
> que tem de pagar por ciência, por exemplo - afirmou Moura Campos.
> Quer ver uma boa ilustração do que Ivan Moura Campos disse? É só ir a
> praticamente qualquer universidade brasileira e procurar por um
> departamento de patentes. Não se espante se não achar. Agora, se a busca
> for por artigos e publicações de pesquisadores, a coisa muda de figura.
> - O Brasil não faz patentes, ele publica - foi um dos pontos abordados por
> Flávio Grynszpan, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São
> Paulo (Fiesp).
> O coordenador do Comitê Gestor, Ivan Moura Campos, explicou ainda a
> diferença entre a produção acadêmica e a empresarial - e que gera tantos
> conflitos de entrosamento entre os dois setores. Na universidade, você
> ensina o profissional a pesquisar e a se tornar independente (mesmo que
> você consiga resolver aquele problema do projeto mais rapidamente, você
> deixa ele quebrar a cabeça primeiro). Já a empresa só quer saber se o
> profissional resolveu esse problema ou conseguiu implementar aquela
> solução.
> - Isso não é defeito. São duas realidades distintas, mas que têm que se
> compreender.
> Ivan Moura Campos criticou ainda o pensamento de muita gente quando o
> assunto é concepção de tecnologia, que é a de uma criação linear, indo da
> pesquisa básica à aplicada numa linha reta. Segundo Campos, deveria haver
> a preocupação com a aplicação desde a primeira etapa do planejamento
> quando o interesse é produzir algo.
> Pela expressão nos rostos de muitos acadêmicos presentes, Campos tocou na
> ferida e expôs uma polêmica que ainda vai render muito, mas muito mesmo na
> área de tecnologia. Ele sabia exatamente o que estava fazendo.
> http://www.timaster.com.br/qr.asp?url=203
> BRUNO ROCHA