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Copa de 2014: outro corredor polonês às avessas?

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Fevereiro 16, 2009  Copa de 2014: outro corredor polonês às avessas?

É preocupante que haja uma redução de impostos para um evento orçado em R$
100 bilhões (por baixo), enquanto as taxas de energia e de telefonia, por
exemplo, continuam exorbitantes para os mais pobres. Por Gustavo Barreto
(*), da redação Consciência.Net, no Rio de
Janeiro.<javascript:togglecomments('COPA201420090216')>

[image: Joseph Blatter, presidente da Fifa, anuncia Copa de 2014 no
Brasil]Representantes
dos ministérios do Esporte e da Fazenda, da Federação Internacional de
Futebol (Fifa) e do Comitê de Organização da Copa 2014 estudam uma proposta
de isenções de tributos federais para a próxima Copa Mundial de Futebol, que
será no Brasil. Haverá uma reunião em Brasília sobre o tema nesta terça
(17), às 14h30.

O detalhe é que as isenções de tributos federais já fazem parte das 11
garantias governamentais exigidas das cidades candidatas a sediar a Copa
2014. Ou seja, o Governo Federal já prometera à Fifa tal medida.

É preocupante que haja uma redução de impostos para um evento deste porte,
enquanto as taxas de energia e de telefonia, por exemplo, continuam
exorbitantes para os mais pobres.

Há um sentimento, no meio desta disputa, de que estamos nos tornando um país
desenvolvido, visto que diversos indicadores atestam esta realidade. É
importante, no entanto, não confundir as coisas: temos condições para nos
tornar uma grande potência, mas não será entregando nossa capacidade de
gerar riquezas que chegaremos lá.

Há décadas que estes grandes eventos não contribuem em praticamente nada
para o desenvolvimento local. Basta pegar o caso do Pan-americano no Rio de
Janeiro, em 2007. Aqui, foi criado uma espécie de "corredor polonês" às
avessas. Ou seja, aqueles que estivessem na rota do Pan poderiam desfrutar
de uma cidade sempre muito hospitaleira e agradável, enquanto os próprios
moradores de áreas mais pobres ouviram apenas as promessas de melhorias, que
chegaram de forma tímida, a um custo financeiro exorbitante e até hoje com
muitos problemas na sua prestação de contas.

Segundo Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Associação Brasileira
de Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), os dados preliminares
indicam que será necessário investir, por baixo, R$ 100 bilhões em projetos
e obras que viabilizem a realização do evento. Analistas esportivos ouvidos
pelo jornal *Gazeta Mercantil* (12/09/2008) estimam que será necessário
construir de 10 a 12 novos estádios.

Fica, então, a idéia: por que o governo não toma esta iniciativa como um
"legado social" da Copa de 2014 e faz o mesmo tipo de proposta no caso de
tarifas básicas de energia e telefonia para a parcela menos favorecida da
população?

*(*) Gustavo Barreto é radialista.*