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LITERATURABRASILEIRA |
MOMENTOS DE LUIZ DE PAULA Wanderlino MOMENTOS, de Luiz de Paula, é amor e flor da natureza. Em Várzea Como disse o próprio autor, textos e pretextos de MOMENTOS Que bom e agradável foi ler MOMENTOS! Que bom foi conhecer MOMENTOS é o registro fiel de um maravilhoso tempo de pura AGENDA DOIS http://www.agendadois.blogger.com.br
Arruda
da Palma, nas beiras do Guaicuí, em Montes Claros, ou em qualquer
parte do mundo. Um livro realmente bom, mesmo que em leitura ligeira.
Prosa e poesia de verdade, na seca ou nas chuvas. Tem quer ser, porque
o autor foi batizado duas vezes, uma pelo ferreiro Bertolino, outra
pelo padre da desobriga, e, por isso, virou poeta. MOMENTOS é livro
desafio, trabalho em espanto de vida, aceitação de mistério. Suas
páginas foram escritas em áureo e doce dealbar de músicas e de
sonhos. Tudo plural: douradas iluminuras nas capas e, no interior,
coloridos entre o branco e o preto, tudo bem serenado em universo de
idéias. Um luxo!
nasceram como brotos das chuvas de São Miguel, multifacetada
confissão entre o sacro e profano. Todo broto de vegetação foi visto
em lupa de saudades. Visíveis encanto e filosofia, memória poética
e pinceladas de vida. Tudo pintura com acenos de ser em tudo fiel às
origens. Escrivão de sonhos, menestrel de doces lembranças, Luiz é
compositor de ritmos, sem direito a esquecimento. Que tenham registros
os currais de gado, os caminhos entre veredas, os bois de cem oitavas,
a arte de navegar e fazer telhas, Imortalizem-se os bandeirantes, os
vaqueiros, as partes da cozinheira ladina... Imortalizem-se a grandeza
das pequenas coisas e os mínimos pedaços de espaço-tempo.
Dona Biló, assadeira de roscas, Neco Meireles, oficial abridor de
cisternas, a parteira Siá Clara! Todo respeito para a professora
Júlia, sessentona, de régua e taboada, todo respeito para a
rezadeira Regina, sacerdotisa de benzeduras para cura de um tudo,
palavras e gestos seus como que tirando doença com a mão. Carinhoso
desfilar de antigas profissões, com toda a certeza de que o tempo não
atravessa duas vezes o mesmo rio.
ternura, trato vivencial de gente parceira de Deus. Só podia ser
escrito por Luiz de Paula Ferreira, autor de Montes Claros Vovó
Centenária, garimpador do ouro mais puro. Declaro-me feliz, muito
feliz, e sinto-me identificado com o Vale do São Francisco, por estar
manuscritando estas mal traçadas linhas numa mesinha da Estação das
Docas, Belém do Pará, de onde contemplo as infindáveis águas da
Amazônia e sinto uma imensa saudade das planícies e dos claros montes
do Norte de Minas.
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