Agência Estado
O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha,
afirmou nesta sexta-feira que será demitido pela Polícia Federal (PF)
na segunda-feira, por ato administrativo. Ele também afirmou que vai
recorrer à Justiça para se manter no cargo. Na sexta, a PF suspendeu
por 60 dias o delegado pela participação em comícios políticos, medida
decisiva no processo de expulsão do ex-chefe da Operação Satiagraha.
De acordo com a assessoria do órgão, agora, caberá ao ministro da
Justiça, Tarso genro, avaliar e confirmar uma eventual pena de
expulsão do delegado da corporação.
Segundo Protógenes, a decisão sobre sua demissão será publicada no
Diário Oficial da União e no boletim interno da corporação. "É um ato
indigno, uma injustiça, que atenta contra a democracia. Vou buscar
reparação na Justiça. É um dano não só contra o Protógenes, mas contra
a democracia", afirmou o delegado, que participou do 12º Congresso do
PCdoB, em São Paulo.
De acordo com o delegado, o vídeo no qual a PF se baseou para abrir um
procedimento administrativo contra ele, durante um comício em Poços de
Caldas (MG), é uma "montagem já constatada em perícia". "É uma prova
imprestável", afirmou. No vídeo, ele aparece demonstrando apoio a um
candidato a prefeito da cidade mineira.
No entanto, o delegado disse que não se surpreendeu com a decisão e
que vem sendo constrangido, há meses, por meio de intimações do
comando da PF, geralmente entregues momentos antes de ele participar
de palestras pelo país. Sem citar o nome do diretor-geral da
corporação, Luis Fernando Corrêa, ele afirmou que sua demissão foi
"orquestrada" pela cúpula da PF. Protógenes afirmou ter sido
comunicado da demissão por um colega da PF que não quis se
identificar.
Portal UAI