*Leviatã*, de Paul Auster
Terminei de ler esse romance do Auster esta tarde. 312 páginas envolventes
que, no final das contas, serão rapidamente esquecidas. Simplesmente porque
seu "herói" não passa de um -- como dizia o Bruno Tolentino -- de um *raté.
*Tudo bem, Don Quijote também poderia ser considerado um *raté*, um *loser,
*mas Cervantes conhecia a verdade sujacente a essa visão rasteira. Embora o
narrador de Auster sinta que Sachs não passa de um pobre coitado cujas ações
são paródias de heroísmo, ele não sabe explicar o porquê desse sentimento,
afinal, é possível perceber que, no fundo, ele compartilha dos ideais e
valores ilusórios de Sachs, como se a culpa da morte deste coubesse à nação
americana e não ao próprio ex-escritor otário. É tão ridícula essa conversão
de um autor talentoso num terrorista que explode réplicas da estátua da
liberdade nas cidadezinhas americanas!! O que pretende ser uma tragédia, não
passa de uma piada mórbida. Haveria real tragédia se Sachs, ao pretender
defender o ideal da liberdade, fosse até a China, Cuba, Coréia do Norte, Irã
ou até o Iraque da era Saddan e saísse pregando cartazes com a imagem da
estátua da liberdade por cima das fotos dos opressores locais. Pelo amor de
Deus, só mesmo um maluco para achar que está "fazendo uma diferença" ao
executar semelhante ato na nação que mais preza a liberdade de seus
cidadãos. *Leviatã *é uma boa aula de como se escrever um romance, mas,
enquanto literatura séria, deixa muuuuito a desejar.
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