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Os Arcos da Violência
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Consciência. Net  
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 Mais opções 7 set, 03:22
De: Consciência.Net <pa...@consciencia.net>
Data: Mon, 7 Sep 2009 03:22:33 -0300
Local: Seg 7 set 2009 03:22
Assunto: Os Arcos da Violência

[image: consciencianet.png]
Os Arcos da Violência * Por Diego
Cotta<http://www.consciencia.net/?author=17>em 06/09/2009
*

Era uma hora da manhã do dia 5 de setembro deste ano. Na antevéspera do
feriado considerado a maior demonstração cívica brasileira – o 7 de Setembro
-, eu, Diego Cotta, atuante há mais de 4 anos em movimentos que promovem (e
tentam assegurar) os direitos humanos, fui agredido violentamente por
aqueles que deveriam servir aos cidadãos de nosso estado. O jornalista que
vos fala foi golpeado por duas vezes na região da coxa por estar na
iminência de urinar em uma das pilastras dos arcos da Lapa, durante um
movimento cultural.

Daí, falarão: “Ah! Mas foi atentado ao pudor! Ato ilícito. Mijar em espaço
público…”. Nesta pilastra havia dois homens que já estavam praticando o ato
de urinar. Eu me aproximei e (não nego) iria fazê-lo também. Quando de
repente, sinto duas cacetadas na perna que me fizeram ver estrelas. Uma dor
insuportável! Uma dor física; uma dor de impotência que no decorrer das
horas iria se materializar como uma realidade.

Iniciei uma discussão infindável com um dos PMs que notoriamente não se
encontrava em condições normais de trabalho. O defensor da lei urrava
ameaças e erguia o cacetete a cada argumento que eu tentava expor. Amigos
nos separaram e acalmaram a situação. Anotei tudo: número da viatura, placa
do carro e batalhão. O nome do policial não foi possível detectar, pois
quando anunciei que trabalhava na Secretaria de Assistência Social e
Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, ele descolou o nome de guerra
do colete à prova de balas.

*Homofobia Institucionalizada*

* *

É nítido que o policial em questão apenas teve este tipo de comportamento
(somente) comigo por constatar minha homossexualidade, a partir de
estereótipos, como timbre de voz, vestimentas e cores nos óculos. Repito:
havia mais 2 homens urinando e nada ocorreu com eles.

Quando minha amiga disse que eu era seu namorado, o mesmo rebateu dizendo
“deixa de ser *caozeira*! Isso aí é mais um viadinho aqui da lapa”. Ou seja,
os “viadinhos da lapa” merecem sofrer agressão gratuitamente… Esta é a
verdadeira postura de um servidor público que teoricamente deveria
estabelecer a ordem e servir os cidadãos?

Não sou bandido! Sou um cidadão fluminense; pago meus impostos e quero ser
tratado com respeito, independentemente de minha orientação sexual. Se o PM
entendeu que eu praticava ato ilícito, ele deveria me dar voz de prisão e me
levar para a delegacia e ponto! Golpear-me por 2 vezes de maneira covarde,
grotesca e abusiva só legitima a falta de preparo e a truculência da Polícia
Militar do Rio de Janeiro.

*E no quer vai dar?*

* *

Em nada! Tenho o discernimento necessário para ter a certeza de que serei
mais um das estatísticas de abuso de poder da polícia Militar. Seguir em
frente? Pra quê? Para sofrer retaliações, represálias? A nojenta rede de
corrupção da PM do RJ me causa ojeriza e aumenta minha dor dos calombos e
hematomas que latejam em minha perna. É uma ferida social que só tende a se
abrir e se difundir ainda mais. Uma pena.

 *Texto publicado em 06/09/2009 às 12:32 na(s) seção(ões)
LGBT<http://www.consciencia.net/?cat=33>,
Opinião <http://www.consciencia.net/?cat=13>, Rio de
Janeiro<http://www.consciencia.net/?cat=38>.
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2.0<http://www.consciencia.net/?feed=rss2&p=709>.Comente
em http://www.consciencia.net/?p=709*


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