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A guerra das TVs não pode fazer vítimas religiosas *Sergio Domingues*
No início de agosto, a Justiça de São Paulo acatou denúncia do Ministério
Público acusando o bispo Edir Macedo e outras nove pessoas da Igreja
Universal de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Foi o bastante para estourar uma guerra entre as TVs Globo e Record.
Principalmente, em seus noticiários, tomados por acusações de um lado e de
outro.
O fato é que ambas as emissoras têm muito o que explicar. As denúncias que
pesam contra elas são muitas. De irregularidades legais e fiscais à mais
nojenta submissão ao poderosos. Seja em relação às elites seculares do País
e ao capital em geral, seja no apoio aos governos de plantão.
E instituição por instituição, o que dizer dos milenares crimes da Igreja
Católica.
O que não podemos admitir é que essa guerra se transforme em perseguição
religiosa. Em ódios que joguem fiéis contra fiéis ou permitam que pretensos
defensores da vida laica criminalizem a fé de amplos setores da população.
A religiosidade popular acaba servindo de munição a uma guerra que esconde
poderosos interesses econômicos. Se a religião pode ser o ópio do povo, aos
poderosos interessa transformá-la no veneno da intolerância. Como sempre, a
mídia grande é a principal responsável por espalhar a peçonha.
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