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PM determina: favelado não tem direito ao lazer
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Consciência. Net  
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 Mais opções 15 jul, 12:15
De: Consciência.Net <pa...@consciencia.net>
Data: Wed, 15 Jul 2009 12:15:53 -0300
Local: Qua 15 jul 2009 12:15
Assunto: PM determina: favelado não tem direito ao lazer

[image: consciencianet.png]
PM determina: favelado não tem direito ao lazer Por Celso
Lungaretti<http://www.consciencia.net/?author=2>em 14/07/2009
 <http://www.publico.clix.pt/imagens.aspx/160423?tp=UH&db=IMAGENS>“Podem me
prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não”
(“Opinião”, Zé Keti)

Frequentemente recebo mensagens me cobrando posicionamento tão incisivo
contra a ditadura e as torturas do presente quanto os que eu assumo em
relação às dos anos de chumbo.

Quem viveu aquele período de arbítrio e atrocidades, sabe que a barra pesava
muito, muitíssimo mais.

Mesmo assim, é chocante que, depois de tanta luta para trazermos o Brasil de
volta para a civilização, o cidadão comum continue tão impotente para
influir nos destinos do País, a imprensa tão blindada contra
versões/interpretações alternativas e os direitos civis tão impunemente
atingidos (ainda mais quando a vítima é a população carente!).

Assim, a imprensa hoje noticia que a Polícia Militar do Rio de Janeiro vai
impedir pela força a realização de bailes funk nas favelas. Alega que não
consegue coibir o tráfico de drogas sem pisotear o direito dos favelados ao
lazer.

Como motivo imediato, apresenta um episódio que evidencia, isto sim, abuso
de autoridade e incompetência criminosa de sua parte: desencadeou uma
operação repressiva para prender traficantes em meio a um baile no Morro dos
Macacos (lá na Vila Isabel do saudoso Noel) e acabou travando tiroteio com
eles, no último sábado.

Saldo: três mortos e seis feridos. Quem não tinha culpa no cartório pegou as
sobras, como sempre. Caso de uma moradora de 35 anos.

Se o preço para prender traficantes é colocar inocentes em risco, a PM
jamais, JAMAIS!, deve fazer tal opção.

A intervenção policial em meio a uma multidão de civis só se justifica
quando há violência sendo cometida. Meras detenções podem ser deixadas para
depois, pois a vida dos inocentes é SEMPRE o valor supremo a ser respeitado.

Só autoridades extremamente tacanhas e despreparadas para atuar numa
democracia podem supor que a proibição do lazer, além de juridicamente
aberrante, traga algum benefício concreto.

“O que radicalizou o funk foi a proibição, nos anos 90, de os clubes terem
festa. O baile foi para dentro da comunidade, e a favela passou a falar para
a favela: as pessoas falam sobre o que vivem. O preconceito é com o funk,
como antigamente o sambista era preso. A favela não pode se expressar”,
queixou-se, com inteira razão, o presidente de uma associação funkeira.

E uma ex-vereadora completou: “O que vão fazer 20 mil pessoas que não têm
direito a lazer?”.

Se depender da PM, ficarão escondidas em seus barracos, pisando em ovos para
não despertar a ira dos fardados, exatamente como os judeus viviam nos
guetos em que os nazistas os confinavam.

Palavras-chave: arbítrio <http://www.consciencia.net/?tag=arbitrio>,
favela<http://www.consciencia.net/?tag=favela>

Texto publicado em 14/07/2009 às 19:04 na(s) seção(ões)
Brasil<http://www.consciencia.net/?cat=28>,
Rio de Janeiro <http://www.consciencia.net/?cat=38>. Acompanhe os
comentários deste texto pelo leitor RSS
2.0<http://www.consciencia.net/?feed=rss2&p=355>.

http://www.consciencia.net/


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