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PM determina: favelado não tem direito ao lazer Por Celso
Lungaretti<http://www.consciencia.net/?author=2>em 14/07/2009
<http://www.publico.clix.pt/imagens.aspx/160423?tp=UH&db=IMAGENS>“Podem me
prender
Podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não”
(“Opinião”, Zé Keti)
Frequentemente recebo mensagens me cobrando posicionamento tão incisivo
contra a ditadura e as torturas do presente quanto os que eu assumo em
relação às dos anos de chumbo.
Quem viveu aquele período de arbítrio e atrocidades, sabe que a barra pesava
muito, muitíssimo mais.
Mesmo assim, é chocante que, depois de tanta luta para trazermos o Brasil de
volta para a civilização, o cidadão comum continue tão impotente para
influir nos destinos do País, a imprensa tão blindada contra
versões/interpretações alternativas e os direitos civis tão impunemente
atingidos (ainda mais quando a vítima é a população carente!).
Assim, a imprensa hoje noticia que a Polícia Militar do Rio de Janeiro vai
impedir pela força a realização de bailes funk nas favelas. Alega que não
consegue coibir o tráfico de drogas sem pisotear o direito dos favelados ao
lazer.
Como motivo imediato, apresenta um episódio que evidencia, isto sim, abuso
de autoridade e incompetência criminosa de sua parte: desencadeou uma
operação repressiva para prender traficantes em meio a um baile no Morro dos
Macacos (lá na Vila Isabel do saudoso Noel) e acabou travando tiroteio com
eles, no último sábado.
Saldo: três mortos e seis feridos. Quem não tinha culpa no cartório pegou as
sobras, como sempre. Caso de uma moradora de 35 anos.
Se o preço para prender traficantes é colocar inocentes em risco, a PM
jamais, JAMAIS!, deve fazer tal opção.
A intervenção policial em meio a uma multidão de civis só se justifica
quando há violência sendo cometida. Meras detenções podem ser deixadas para
depois, pois a vida dos inocentes é SEMPRE o valor supremo a ser respeitado.
Só autoridades extremamente tacanhas e despreparadas para atuar numa
democracia podem supor que a proibição do lazer, além de juridicamente
aberrante, traga algum benefício concreto.
“O que radicalizou o funk foi a proibição, nos anos 90, de os clubes terem
festa. O baile foi para dentro da comunidade, e a favela passou a falar para
a favela: as pessoas falam sobre o que vivem. O preconceito é com o funk,
como antigamente o sambista era preso. A favela não pode se expressar”,
queixou-se, com inteira razão, o presidente de uma associação funkeira.
E uma ex-vereadora completou: “O que vão fazer 20 mil pessoas que não têm
direito a lazer?”.
Se depender da PM, ficarão escondidas em seus barracos, pisando em ovos para
não despertar a ira dos fardados, exatamente como os judeus viviam nos
guetos em que os nazistas os confinavam.
Palavras-chave: arbítrio <http://www.consciencia.net/?tag=arbitrio>,
favela<http://www.consciencia.net/?tag=favela>
Texto publicado em 14/07/2009 às 19:04 na(s) seção(ões)
Brasil<http://www.consciencia.net/?cat=28>,
Rio de Janeiro <http://www.consciencia.net/?cat=38>. Acompanhe os
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