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Adoro esses desvarios. Na minha cabeça você fala passarinho, Patrícia. :]
Abraço, Jacque
From: reis.al...@gmail.comTo: patricia_desvair...@hotmail.comSubject: [imaginarios] Os desvarios de PatríciaDate: Sat, 31 May 2008 15:08:13 -0300
Ruim é que eu não consigo falar passarinho. Olho pra ele da janela - e a língua, essa faísca ardente de gelo, essa amolecida, desaprendeu.
Na vida todo dia a gente desaprende uma coisa. Aprende uma. Desaprende outra. Tem que ser assim, senão não cabe.
Perdi a veia, a face é dura, metade inteira, metade só.
Nos meus interiores, há lava pura. Mas aqui fora, friagem.
Senti isso: frio e seco. Depois fiquei partida.
Passarinho olha da janela, com pena.
A pena do passarinho é leve, não ven de dó. Por isso é que eu preciso falar a língua dele.
Por isso é que eu preciso._________________________________________________________________ Conheça o Windows Live Spaces, a rede de relacionamentos do Messenger! http://www.amigosdomessenger.com.br/
----- Original Message ----- From: Patrícia Reis Alvim To: patricia_desvair...@hotmail.com Sent: Saturday, May 31, 2008 3:08 PM Subject: [imaginarios] Os desvarios de Patrícia
Ruim é que eu não consigo falar passarinho. Olho pra ele da janela - e a língua, essa faísca ardente de gelo, essa amolecida, desaprendeu.
Na vida todo dia a gente desaprende uma coisa. Aprende uma. Desaprende outra. Tem que ser assim, senão não cabe.
Perdi a veia, a face é dura, metade inteira, metade só.
Nos meus interiores, há lava pura. Mas aqui fora, friagem.
Senti isso: frio e seco. Depois fiquei partida.
Passarinho olha da janela, com pena.
A pena do passarinho é leve, não ven de dó. Por isso é que eu preciso falar a língua dele.
É de uma gripe velha. Uma gripe que não aconteceu e ficou guardada no dentro do dentro do tempo, no antes, uma gripe com ventos e cachoeiras represada.
O mundo faz terremotos, ciclones, no mínimo revoadas de bandos. Eu faço tempestades com a cabeça.
Ninguém é todo o tempo feliz. Ninguém é todo o tempo seguro. Nem aquele moço ali com terno, nem o outro, que agora está velho mas que foi moço, lavava carros na rua e olhava pra gente com ousadia. Agora ele cata comida no lixo e já tem a pele vincada. Ficou um tempo preso, sei lá por que, acho que tem vergonha, porque anda com a cabeça baixa.
Mas quando olha, ainda olha com ousadia.
Ninguém é todo o tempo infeliz. Ninguém é todo o tempo inseguro.
E aquela laranja que ele achou não há de estar podre.
Acalmo a menina: são só imagens. E a única coisa a se temer é o medo.
O terremoto de 7,9 graus na Escala Richter fez um novo buraco - em forma de barulho? - na cabeça da moça, uma trinca que incomoda, des encontra. O medo fica olhando assim de esgueio, como o lobo, corre detrás de uma árvore para a outra, ligeirinho, não é sorrateiro nunca : brinca.
Como às vezes acho que brinca a moça, que nem é tão valente assim, finge e ri, engraçado, me ocorreu:
daqui a um tempo a moça vai ser velha, terá ainda força?
Vai escrever: "Hoje a velha constatou duas protuberância nos joanetes".
Hoje vi dois passarinhos se embolando na calçada como se fosse gente, como se fosse briga ou amor.
Dois pequenos aventureiros, certo, não se pode mesmo viver sem a ventura.