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MEMÓRIA: GOIÁS VELHO    

GOIÁS VELHO

A Vila Boa de Goyas, antiga capital do Estado de Goiás

 

 

 

BARTOLOMEU BUENO DA SILVA, o ANHANGUERA I, descendente de Bartolomeu Bueno, o Sevilhano, penetrou no território hoje pertencente ao Estado de Goiás em 1682, oportunidade em que estava acompanhado de seu filho adolescente [1]. Esse rapaz tinha nome idêntico ao do pai e, por isso mesmo, foi apodado como “o Moço” e é identificado pela historiografia como ANHANGUERA II.

 

Muitos anos depois, por volta de 1721/22, Bartolomeu “o Moço” empreendeu viagem ao local em que havia ido em companhia de seu pai quando era adolescente. Foi assim que em 1726, em plena terra ancestral dos índios Goyases, Bartolomeu  o Moço” fundou o ARRAIAL DE SANT’ANA.

 

Tamanha foi a quantidade de ouro encontrada na região que apenas dez anos depois, em 1736, o ARRAIAL DE SANT'ANA foi elevado à condição de Vila, com o nome de VILA BOA DE GOYAS.

 

Nessa época aquela região pertencia à Capitania de São Paulo, mas, dado o grande número de pessoas que lá se instalou em razão da descoberta das minas de ouro, já em 1.748 foi criada a Capitania das Minas de Goyas, muito embora o primeiro governador, MARCOS DE NORONHA, o Conde dos Arcos [2], só tenha chegado à nova capitania após cinco anos da data de sua criação.

 

Foi NORONHA quem determinou a construção, entre outros prédios, da Casa de Fundição (1.750) e do  Palácio que levaria seu nome (1.751).

 

 

 

Com o esgotamento do ouro, no final do século XVIII, Vila Boa de Goyaz entrou em decadência. A população da vila diminuiu e a pecuária tornou-se sua atividade econômica principal.

 

Goiás Velho, nome pelo qual a vila passaria a ser conhecida, conservou seus casarões, palácios e, sobretudo, seu rico patrimônio cultural imaterial.

 

O canto litúrgico fortemente influenciado pelo PASSIONÁRIO TOLEDANO é um exemplo desse patrimônio. Veja, a propósito, o texto Presença do Passionário Toledano (1702) nas "Minas dos Guaiazes", sertão do Brasil”.

 

Outro exemplo é a denominada PROCISSÃO DO FOGARÉU, realizada na Semana Santa. Essa procissão foi introduzida na cidade de Goiás Velho pelo padre espanhol JUAN PERESTELO DE VASCONCELOS ESPÍNDOLA, em meados do século XVIII (1745). A indumentária utilizada pelos penitentes é formada por uma túnica comprida e por um capuz cônico e pontiagudo, idênticos às vestimentas que ainda hoje são usadas nas celebrações da semana santa na Espanha.

 

PROCISSÃO EM GOIÁS VELHO

 

 

PROCISSÃO EM MÁLAGA

 



[1] Historiadores dizem que esse rapaz tinha entre doze e dezesseis anos.

[2] O título de Conde dos Arcos foi criado pelo Rei Filipe III, de Espanha, em 08 de fevereiro de 1620. Existiram doze Condes dos Arcos, sendo que Marcos Noronha foi o quarto deles.

 

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19 nov 2009 por Vilela
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