| Membros: 41 |
| Idioma: Português (Brasil) |
| Categorias do grupo:
|
| Mais informações sobre o grupo » |
|
| 2:08 |
|
| 7 dez |
|
| 7 dez |
|
| 7 dez |
|
| 5 dez |
|
| 5 dez |
|
| 5 dez |
|
| 5 dez |
|
| 5 dez |
|
| 4 dez |
|
CARPIDEIRAS
Segundo o Diccionario Xerais da Lingua Galega "Carpideira (de carpir) s.f Muller que acudía ós enterros para carpir ou facer pranto do finado, chorona". "Carpir (lat. carpere) v. 1. Arrinca-lo cabelo, as barbas, etc., en sinal de dor. 2. Facer pranto desesperado; chorar por un morto con gran desespero e en voz alta. 3. Rabuñar". "Rabuñar (de rañar e uña) v. Feri-la pel coas uñas ou cun obxecto puzante".
É tudo quanto, aqui e lá, as carpideiras sempre fizeram.
Marieta Severo e Andréa Beltrão vivem carpideiras na comédia 'As centenárias' http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/08/27/297446627.asp
Achei interessante a matéria publicada pelo Perdiz (Em tempos de crise, Espanha resgata tradição de carpideiras) e fui dar uma olhadinha no assunto.
Para Câmara Cascudo "Não tivemos, no Brasil, a carpideira profissional, chorando o defunto alheio, mediante pagamento. Foram conhecidas em quase toda a Europa, e a tradição de chorar, cantar, dançar e ter uma refeição dedicada aos mortos é possivelmente universal e milenar. Para nós do Brasil, indígenas e africanos escravos usavam a mesma prática, mas recebemos dos portugueses a carpideira espontânea, lamentando o defunto gratuitamente e vocacionalmente, ou tendo lembranças de alimentos, dinheiro, roupas, em recompensa da mágoa colaborante e ruidosa. Ainda resiste o chorar o defunto no interior brasileiro, Executado por velhas ligadas por laços de parentesco, amizade ou sedução trágica, diante do cadáver, excitando as lágrimas da família com frases exaltadas e gesticulação inimitável e dramática. São elas, fazendo o quarto ao defunto, guarda, sentinela, velório, as iniciadoras do canto das Incelências, Excelências, entoadas com a voz mais sinistra e apavorante, embora de impressão inesquecível para a assistência. São sabedoras das rezas de defunto votivas. Essas orações e cantos das Excelências duram até o saimento do enterro. Há nessas localidades, velhas de fama ilustre, indispensáveis no cerimonial popular, de irresistível provocação para o pranto. Não se compreende defunto sem choro, índice de suprema indiferença e abandono total". Fonte: http://www.terrabrasileira.net/folclore/manifesto/social/s-chorar.html
Câmara Cascudo tentou "dar um ar" de desprendimento material à milenar atividade de carpideira e, para tanto, chamou as retribuições ao trabalho delas de "lembranças de alimentos, dinheiro, roupas...". A verdade é que no Brasil, assim como na Espanha, existem e sempre existiram as carpideiras profissionais ou "de meio expediente". Um artigo publicado na Wikipedia comprova que a atividade continua bem viva em várias regiões.
Vejamos um trecho:
Carpideiras
Existiam desde os tempos de Cristo, mas quem iria imaginar que sobrevivessem até os dias de hoje? Estamos falando das carpideiras, cujo trabalho, lá como agora, não mudou: são mulheres pagas para chorar nos funerais. No Brasil, são poucas as profissionais, principalmente no Nordeste, das quais se exige talento para chorar copiosamente e, mais do que isso, sensibilidade. A atriz Itha Rocha, 54 anos, é remanescente de uma família de especialistas em choro e lamúria. Diz que antigamente as carpideiras profissionais cumpriam o estatuto das 12 tábuas, que coibia a histeria. Eram divididas em grupos; algumas entoavam cantos de louvor, outras choravam. As carpideiras chegaram ao Brasil com os portugueses. Inicialmente, o serviço não gerava dinheiro, conforme Itha ouviu de sua bisavó. "O defunto deixava boi ou roupa para o pagamento", comenta. Mas a habilidade de verter lágrimas não é exclusividade dela; seus 11 irmãos, inclusive os homens, choram com facilidade. Não existe uma técnica para desencadear o choro. "Para nós, a morte é uma passagem. E para que essa passagem seja feita de forma tranqüila, bonita, é necessário alguém chorar", declara. Na sua concepção, o trabalho consiste em transformar as energias negativas em positivas. "Quando a pessoa morre, o espírito dela fica algum tempo ao redor. As pessoas às vezes não respeitam e começam a falar de assuntos inadequados, inclusive, sobre herança", esclarece a atriz. Itha começou a chorar por dinheiro paralelamente ao trabalho em uma empresa de telefonia com mais de 3 mil funcionários. "Quando perdia algum colega, fazia o papel da carpideira. O jornal interno realizou, inclusive, uma matéria a respeito do assunto. Descobriram-me; quando me dei conta desenvolvia a prática aqui em São Paulo." O valor cobrado varia de acordo com a família. "Não me prendo a valores, às vezes, vou de cortesia", diz. Chorar profissionalmente implica, de vez em quando, situações inusitadas. O parente que chega alcoolizado e faz gestos e discursos engraçados; defunto que volta da necrópsia envolto em um lençol e ninguém leva roupa para vesti-lo; parente que chega de longe exigindo os bens do falecido. "Isso ocorre tanto em velório de rico quanto no de pobre", lembra Itha. Sem falar nas piadas, comuns no decorrer da madrugada. "Faço um relatório de tudo", brinca. Itha Rocha é a carpideira mais conhecida no Brasil. Já chorou em velórios de pessoas como como Lady Diana e Clodovil Hernandes e chega a ganhar até 300 reais por trabalho.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carpideira
|
| |||||||||||||||||||
| Criar um grupo - Grupos do Google - Página inicial do Google - Termos de Uso - Política de Privacidade |
| ©2009 Google |