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O 'trágico' como objeto filosófico

Daniel Mazza <mazza.psi....@gmail.com>

O trágico foi geralmente associado à filosofia como um estado de
espírito propício à reflexão. A intuição parece confirmar esse
conceito, porém gostaria de trazer a termos mais objetivos essa
consideração tão especial. Há uma proposição sobre psicologia do
filósofo aí e, portanto, sobre a estrutura do 'sujeito do
conhecimento'. Seria, o trágico, causa, efeito ou agente facilitador
do filosofar? E, ainda, se se confirmar a relação, qual o porquê dela?
Seria, ele, inerente ao sujeito?

Segundo Aristóteles a tragédia é "a imitação de acontecimentos que
provocam piedade e terror e que ocasionam a purificação dessas
emoções" (Poet., 6, 1449 b 23).

Para ilustrar nossa questão quero citar algumas passagens convenientes
de Schopenhauer:

"a tragédia é a representação da vida em seu aspecto terrificante. É
ela que nos apresenta a dor inominável, a aflição da humanidade, o
triunfo da perfídia, o escarnecedor domínio do acaso e a fatal ruína
dos justos e dos inocentes; por isso, ela constitui um sinal
significativo da natureza do mundo e do ser" (Die Welt, I, §51)

"Toda felicidade é negativa, sem nada de positivo; nenhuma satisfação,
nenhum contentamento, por conseqüência, pode durar; no fundo são
apenas o cessar de uma dor ou de uma privação e, para substituir essas
últimas, o que virá será infalivelmente ou um novo pesar, ou algum
langor, uma espera sem objeto, o tédio." (O mundo como vontade e
representação)

Vale citar o 'Cândido' de Voltaire como representação desse "escárnio"
a que se refere Schopenhauer na primeira citação.

Ref.:
ABBAGNANO; Dicionário de Filosofia.
GRATELOUP; Dicionário Filosófico de Citações.