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Olá a todos,
Vou então usar essa página para tentar resumir o que temos
discutido sobre "Verdade". Link do tópico.
Primeiro, o Claiton postou essa tirinha:
E perguntou: “Até onde devemos ir com a verdade?”.
Eu sugeri que vivemos numa sociedade da mentira, e que ela diminui nossa tolerância à verdade, ou seja, nossa capacidade de lidar com ela. A mentira se torna confortável, e a verdade se torna incômoda.
O Marcelo Estraviz falou sobre verdade interna, sobre relação entre o que se diz e o que se sente, e deixar seus sentimentos aparentemente ruins fluírem sem crise. Que isso gera sensação de “fortaleza”, e que não há porque falar de “verdades da humanidade”, já que somos pessoas contraditórias e temos muito trabalho individual pela frente. Que não deveríamos ter uma motivação maior que o tamanho humano.
A Karine lembrou do filme “I (Love) Huckabees”, e de que a pior mentira é a que se conta para si mesmo.
A Milenne interpretou a questão assim: Se a
verdade surge quando deparada com a mentira, quando saberemos se encontramos a verdade? Ela apontou que quando
estamos perdidos em um sofrimento, há uma linha tênue entre encontrar a verdade
ou se perder em si mesmo.
Eu exibi este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=35M-Q4SqQQs
Ele mostra como mentiras podem ser criadas falando-se apenas a verdade. Então a questão é que a mentira pode ser interna também, logo a relação entre o que se fala e o que se sente pode não ser suficiente para estabelecer um critério de verdade.
Eu defendi que a verdade não é interna, mas depende de algo que recebemos de outros que vieram antes de nós. Eu me opus ao relativismo subjetivista e defendi que a intolerância pela verdade pode ser demonstrada se observarmos o que está sendo sustentado pela mentira. Considerando quais as intenções, pressupostos e consequências do que é dito, não simplesmente o que é dito. Que a verdade depende também de levar em consideração os sentimentos dos outros.
O Claiton então deu uma definição de “verdade absoluta” como verdade estabelecida (ex: "A terra gira em torno do sol") e “verdade subjetiva” como verdade de cada um sobre uma mesma coisa. O Felipe e eu respondemos que o conceito de “verdade absoluta” independe do “estado de coisas” no mundo. Eu defendi que a verdade, normalmente, depende de um contexto, e que só é possível falar de “verdade absoluta” em relação a algo “transcendente”. Contextos podem ser partilhados. Não temos acesso à subjetividade do outro, mas podemos partilhar contexto intersubjetivamente e também ter empatia sobre contextos subjetivos.
Defini relativismo subjetivista como considerar apenas o contexto subjetivo em detrimento de um contexto compartilhado. Disse que mesmo “verdades internas” podem ser questionadas. Que deveríamos procurar um critério comum para a verdade, e avaliar nosso discurso de maneira semelhante à que avaliamos o discurso de outros.
Sugeri que víssemos o filme “O último samurai” e o analisássemos pelo foco desta discussão sobre a verdade e a relação disso com a perda da tradição e dos parâmetros comuns. Link do tópico. A partir de uma mensagem do Felipe, introduzi Schopenhauer e Nietzsche como "inimigos" da verdade, na medida em que falam do mundo como "vontade" e "representação" da subjetividade. Este critério deve ser pensado em termos do que levou até ele, e para onde ele nos leva. O método cartesiano (ou seja, de Descartes) da "dúvida hiperbólica" era colocar tudo em dúvida, e no final a única coisa que não foi possível colocar em dúvida é a existência daquele que está pensando. Isso abriu caminho para o relativismo subjetivista, e também para o ateísmo e para o solipsismo.
Por enquanto é só. Vocês podem modificar essa página como quiserem. Ela serve para não perdermos a linha de raciocínio.
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