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Mensagem sobre o tópico ENSINAR COMO MELHOR FORMA DE APRENDER

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Received: by 10.35.128.17 with SMTP id f17mr819782pyn.1163502907743;
        Tue, 14 Nov 2006 03:15:07 -0800 (PST)
Received: from 200.251.226.20 by i42g2000cwa.googlegroups.com with HTTP;
	Tue, 14 Nov 2006 11:15:06 +0000 (UTC)
From:  "Arrud" <arr...@wanderlino.com.br>
To:  "BRASIL 51" <brasil51@googlegroups.com>
Subject: ENSINAR COMO MELHOR FORMA DE APRENDER
Date: Tue, 14 Nov 2006 03:15:06 -0800
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ENSINAR COMO MELHOR FORMA DE APRENDER

Wanderlino Arruda

Quando Jos=E9 de Anchieta e Manuel da N=F3brega aportaram na rudeza das
selvas brasileiras, no s=E9culo XVI, para implantar, aqui, no maior
cora=E7=E3o geogr=E1fico do mundo, uma nova civiliza=E7=E3o humana e
bendita, devem ter sentido a imensid=E3o do compromisso religioso,
pol=EDtico e, sobretudo afetivo, que haviam assumido. A terra, apenas
ch=E3 e mui formosa; o homem forte, sadio, mas rasteiramente primitivo;
as dist=E2ncias n=E3o apenas enormemente grande para os padr=F5es
portugueses de l=E9guas terrenas ou n=F3s mar=EDtimos, na verdade, uma
imensid=E3o quase universal, virgem, sedutora e colossal.
Como come=E7arem a tarefa, diante da barreira e do abismo que separavam
duas civiliza=E7=F5es t=E3o diferentes? Costumes, religi=E3o, capacidades
de comunica=E7=E3o, tudo constituindo um enigma desconcertante. Os dois
religiosos traziam todo o potencial de organiza=E7=E3o do pensamento
civilizado, haurido de mil=EAnios de trabalho intelectual no al=E9m-mar.
Os =EDndios, portadores de um vocabul=E1rio e de um c=F3digo mantido por
apenas algumas centenas de pensamentos e formas, quase todos da =E1rea
concreta da linguagem dos objetos da ca=E7a, da guerra, do dia-a-dia,
das cho=E7as e da vida em fam=EDlia, da pequenez do culto pag=E3o. Nenhum
lavor intelectual, nenhum vislumbre de cultura civilizada. Como
conciliar t=E3o diferentes padr=F5es de pensamento, da =E9tica e
capacidade individuais?
A=ED, come=E7a a grande tarefa dos rec=E9m-chegados. Primeiro, observar e
compreender, depois, superar as diverg=EAncias. Contorn=E1-las,
elucid=E1-las, venc=EA-las a qualquer custo. De sotainas arrega=E7adas,
bra=E7os e m=E3os dispostos ao trabalho fraterno, a grande luta para
alcan=E7arem o alvo inicial e maior: os cora=E7=F5es ind=EDgenas, singelos
e puros, desativados de pompa filos=F3fica. A confian=E7a m=FAtua =E9
indispens=E1vel, mas s=F3 poss=EDvel do relacionamento de igualdade, da
uni=E3o de for=E7as e intelig=EAncias.
A=ED, nessa hora, come=E7a a luta para superar as diverg=EAncias
ling=FC=EDsticas. Mas, como ensinar filosofia, =E9tica, artes a um povo
que se limita ao pequeno mundo das coisas palp=E1veis do interesse
imediato? Como dizer o que =E9 coragem, f=E9, confian=E7a? Como traduzir
termos como amor, satisfa=E7=E3o, e esfor=E7o =EDntimo? Como indicar com
seguran=E7a t=E9cnicas de aprendizagem de compreens=E3o e desenvolvimento?
Homens afeitos ao dom=EDnio dos canais de comunica=E7=E3o em l=EDnguas
antigas e modernas, aprendem logo as bases do vocabul=E1rio tupi e
iniciam a primeira jornada pedag=F3gica e art=EDstica do Brasil.
Tornam-se os primeiros diretores, atores e coadjuvantes do teatro
brasileiro. Padres e =EDndios transformam-se em artistas e mestres da
representa=E7=E3o no palco - da escola, da arte, da vida. No desenrolar
das cenas, homens e mulheres, velhos e crian=E7as aprendem, em latim,
portugu=EAs e tupi, a representa=E7=E3o fonol=F3gica de cada termo e
traduzem id=E9ias o significado de cada atitude, o valor do bem e do
mal, da simpatia e do desprezo, do pr=EAmio e do castigo.
Movimentando-se diante dos cen=E1rios do grande palco catequista, cada
voc=E1bulo =E9 dominado por uns e por outros, numa simbiose de
capacidades pessoais dignas do mais alto respeito e admira=E7=E3o
afetiva. A compreens=E3o passa a superar diverg=EAncias, sobrepor-se =E0s
diferen=E7as at=E9 que chegue a hora do interc=E2mbio perfeito, do
entendimento ideal. A afei=E7=E3o passa a reinar de parte a parte, porque
o ato de compreender dissolve as barreiras. O trabalho que realizam =E9
bom, corresponde =E0 verdade e vem criar novas amizades. Al=E9m disso, =E9
justo para todos os interessados.
Pergunto, agora, se ainda n=E3o estamos necessitando do mesmo tipo de
entendimento, quase meio mil=EAnio depois. Se j=E1 n=E3o h=E1 a barreira da
fala ou da f=E9, do nu ou do vestido, n=E3o se pode descartar a
inexist=EAncia de outros empecilhos entre eles, do ter e do n=E3o ter, do
saber e do n=E3o saber, at=E9 mesmo terr=EDveis barreiras sociais,
culturais, da pr=F3pria forma de viver e sobreviver. Cada dia
tornando-se a vida mais dif=EDcil, =E9 preciso criar a hora do
reencontro, se j=E1 n=E3o mais entre catequistas e selvagens, na verdade,
entre civilizados e civilizados, porque, infelizmente, uns muito mais e
outros muito menos, uns com muito, outros com muito pouco.
Dura realidade...


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