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SUPERPOPULAÇÃO - FILHOS: POR QUE NÃO TÊ-LOS ? 26.06.2005 Silvia Pilz Silvia Pilz é jornalista e redatora publicitária.
Fiquei aliviada quando abri a revista dominical de O Globo, no domingo retrasado. Reportagem de Fernanda Duarte, correspondente em Londres, conta que cresce no Reino Unido e na América do Norte o movimento contra a procriação. Enquanto isso, no Vaticano, o novo papa recrimina os anticoncepcionais - velha tese da Igreja, cujo método anticoncepcional preferido, pelo menos oficialmente, sempre foi a abstinência.
Obviamente, por questões culturais, religiosas e até biológicas, o movimento é polêmico e tem gerado revolta. Eu, que nunca senti vontade de engravidar, devorei o texto da revista com jeito e cara de quem encontrou sua tribo. Segundo as estatísticas do Censo Nacional de 2001, no Reino Unido, uma entre cinco mulheres britânicas aderiu a um movimento que anda ganhando força. No mundo ocidental, calcula-se que de 16% a 25% dos casais hoje não queiram mais ver berços e mamadeiras pela casa.
Bom, além de achar que casais podem ser felizes sem filhos, acredito que a procriação do homem está absolutamente descontrolada e inteiramente voltada para a satisfação pessoal. Ao contrário dos outros animais, o homem há muito se reproduz mais para se auto-perpetuar do que perpetuar sua espécie. A produção de bebês faz parte de um processo natural da existência humana. Mas ele tem mais a ver com a nossa própria reprodução individual. O culto à hereditariedade impõe uma cegueira. Mal nos importamos com a extinção que ameaça milhares de exemplares da nossa raça. Nem com a superpopulação que afeta a qualidade de vida na Terra. Apenas queremos nossos filhos.
A coisa fica em no mínimo R$ 12.000. Além disso, as mulheres que engravidam através de tratamentos de fertilização têm, em média, 30% de chance de ter bebês gêmeos. Por outro lado, o número de crianças adotadas no Brasil caiu 19% em comparação à média anual no ano passado, de acordo com a Folha de S.Paulo. Em 2003, foram 5.654 casos, contra a média de 6.970 crianças adotadas por ano, de acordo com os tribunais de Justiça e as varas de Infância e Juventude de 14 dos 26 Estados brasileiros. Hoje, a adoção é quase sempre a última opção, um prêmio de consolo para quem não conseguiu fabricar seus próprios clones.
Enviado ao grupo "Ambiente Divulgações".
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