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POLÍTICA - A ARTE DE ADMINISTRAR SOCIEDADES - Eleições. Filosofia política. Consciência política universal. Brasil 2008. Ação e imparcialidade política. Não partidarismo.    

 

POLÍTICA - A arte de administrar sociedades

 

Palavras-chave relacionadas : Ciências sociais. Ciência política. Pleito eleitoral. Sistemas representativos.

                                                 Cidadania mundial e planetária.

 

LEIA TEXTO COM CONTEÚDO SEMELHANTE : "Democracia plena, eleições e sistemas representativos"

 (E, se necessário, digitar "Democracia plena" na janela "Pesquisar Blog")

 

 

 

"Polis", do grego : cidade. "Política" : o dom, a capacidade, a arte de administrar a cidade. Termo muito antigo, quando as cidades eram o foco principal das atividades humanas. Hoje o conceito de província, de nação, de bloco de nações e de federação internacional são expansões da mesma realidade antiga e básica, a "polis". Desta forma, temos a política internacional, a política nacional, a dos estados e a política do município.

 

Na verdade, em qualquer agregação de seres humanos há a necessidade dos vários integrantes e líderes interagirem entre si e com outros grupos. As leis, as regras, os valores e as várias possibilidades comportamentais diante das relações entre as pessoas e os grupos compõem o que se denomina de "política". Ora, como leis, regras e valores são realidades abstratas muito susceptíveis a diferentes interesses e interpretações, temos que, na prática, - e no presente estágio evolutivo da sociedade -  o posicionamento político, ou a sua "praxis", tende a seccionar, a dividir, a romper, a diferenciar as pessoas e os grupos entre si. A legitimação desta realidade pela visão democrática atual provêm da eficiente técnica de seleção natural que deixa subsistir apenas o melhor e o mais forte.

 

As leis que definem a seleção natural, como a continuidade dos seres adaptados e muitas outras, são as bases da evolução das espécies. Sem estas leis não seríamos humanos hoje, e a vida não seria tão bela e diversa. Por correspondência, este forte argumento fundamenta também as relações humanas. Desta forma, pessoas, grupos e partidos fazem suas propostas, e quando estão no poder do exercício executam-nas. As melhores, pressupostamente as melhores para o bem coletivo, são aprovadas e tendem a continuar ao longo do tempo. É a lei da permanência. Seus defensores são movidos pela força inexorável da preservação e da continuidade.

 

No entanto, há que se questionar se as formas de aplicação destas leis seletivas devem ser as mesmas para o reino biológico e para o plano mental e psicológico dos seres humanos. Valores culturais e espirituais moldam as relações entre os humanos - na atualidade - de forma diversa como são determinadas as relações comunitárias entre os animais, ou de forma diversa dos humanos pré-históricos. Desta maneira, sentimentos como a compaixão, são estimulados e desenvolvidos. O desejo de subsistência e a compaixão, aliados à inventividade intelectiva, requerem e permitem que os humanos mais fracos, física e mentalmente, permaneçam vivos. No reino animal isto não acontece, prevalecendo a lei da continuidade apenas para os mais fortes e saudáveis. Este é um exemplo de como a forma de aplicação das leis seletivas é diferente no mundo não humano e no humano.

 

A questão não é concluir que "não existem leis de seleção natural para as relações entre os humanos", mas que os valores do que é bom ou ruim, do que é pior ou melhor - para as características humanas - é que devem ser interpretados e conquistados em um outro plano de visão. Assim, as dificuldades motoras, ou as de visão, não são características importantes para os humanos. Estas diferenças podem ser corrigidas total ou parcialmente e, mesmo na impossibilidade de melhorias, pouco significam para as pessoas que priorizam as habilidades mentais, emocionais ou espirituais.

 

Dentro deste mesmo raciocínio devem ser entendidas e aplicadas as leis, regras e comportamentos que determinam a política entre as sociedades humanas. As leis naturais seletivas primeiro seccionam as pessoas que pensam e agem diferentemente para depois selecioná-las pelo critério das mais aptas - ou daquelas que defendem regras e princípios mais convenientes a uma determinada sociedade.

 

Não é obrigatório seguirmos este processo natural. Pela racionalidade, os seres humanos podem optar por descobrir e desenvolver os seus melhores modelos, as suas melhores leis e regras sociais. Não é necessário o seccionamento, a fragmentação e a polarização de opiniões e ações - assim como acontece no reino animal - para os humanos encontrarem, por exemplo, a sua melhor forma de governo, ou seja, o conjunto de princípios, normas e realizações que irão conduzir e concretizar os interesses da coletividade. Na verdade, esta forma primitiva de seleção interessa a indivíduos, famílias ou classes que desejam a sua supremacia e permanência. Este desejo é compreensível quando se entende a psicologia humana e as relações sociais dentro de um contexto histórico que estende o tempo tanto para o passado, como em direção às suas possibilidades no futuro.

 

Porém, não significa que devamos legitimar esta compreensão e aceitá-la, necessariamente, como um dos elementos da intrincada rede de interações entre os grupos sociais. Temos, sim, como seres auto-determinantes, e como seres que comumente se denominam possuidores de livre arbítrio, o poder de decidir romper com a evolução que depende das leis naturais.

 

Então, como conseguir este estado mental-espiritual de isenção, de imparcialidade, de verdadeiro desejo de ver cumprido os interesses e o bem da coletividade ?....Como deixar de priorizar o interesse individual, o interesse pelo bem familiar, e o interesse pelo bem de classe, a fim de querer e fazer cumprir os interesses e os direitos para o bem da maioria ?....

 

Os políticos da atualidade podem nutrir a intenção de defender o bem comum, porém somente conseguirão quando os seus interesses, os de sua família e os de sua classe forem, verdadeiramente, coincidentes com os interesses de toda a humanidade.

 

 

Luiz Antonio Vieira Spinola, julho/2008

 

 

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1 mensagem sobre esta página
29 jul 2008 por luiz
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