Sim, creio que o uso do açúcar tornou-se um vício na humanidade. Aqui,
nós nordestinos, herdamos de Portugal o gosto pelas comidas
açucaradas, as "barrigas de freira" da vida, os agradinhos para os
olhos e o paladar. E fomos substituindo a busca de diversos sabores
pelo sabor açucarado, sem o qual, para nós, nada presta.Os pobres
ficavam um pouco longe dessa farra pois o açúcar refinado era artigo
de luxo. Ficavam com o mel de engenho, a rapadura, ou nada,
satisfazendo-se em consumir canas "roubadas" dos engenhos e as frutas
que a natureza ofertava em terras sem dono perto, frutas disputadas
com os passarinhos.
Mas o açúcar branco baixou de preço. Nada melhor para disfarçar a fome
da pobreza do que pão branco, margarina e um cafezinho fraco com
bastante açúcar, não é? Veio bem a calhar. Sentiu-se mal? Assustou-
se? Está com insônia? Com fome e não tem comida ?Tome uma água com
açúcar, meu filho! Enquanto as usinas de açúcar iam derrubando
fruteiras e outros vegetais consumíveis, substituindo tudo pelo
plantio da cana, as pessoas também foram substituindo tudo pelo
açúcar.
Quem ainda tem uma colmeia de abelha uruçu no alpendre de sua casa ao
lado do roçado ? (Sabemos que o agricultor foi expulso para a
periferia das cidades - a cana precisa do seu espaço.) Quem planta
ou pelo menos sabe o que é araruta? Quem consume folhas de taioba,
bredo, serralha, beldroega?
Não, consome-se produtos industrializados, e tudo tem açúcar, sal, uma
desgraça moderna chamada glutamato monossódico e outros trecos.
Mas os males do açúcar não param por aí. Epidemia de obesidade,
diabete , pressão alta ...
A gente gente sabe disso mas não passa sem um bolo rolo, um sorvete,
uma mariola... Isso não é vício?
Maria Giselda