"Ainda quanto a ti, por causa do
sangue do teu pacto,
libertei os teus presos da cova em que não
havia água. Ó presos de esperança, voltai à fortaleza;também
hoje anuncio que te recompensarei em dobro."
(Zacarias, 9.11-12)
"Dentro de uma cova sem
água..."
Há
momentos na vida em que nos sentimos escravizados pelas
circunstâncias. Sentimo-nos vítimas das situações que nos algemam,
que tiram nossa liberdade... Sentimo-nos presos, acorrentados! O
texto acima nos relata esta triste experiência de nos sentirmos
presos, como se estivéssemos "dentro de uma cova". A imagem da cova
expressa a idéia de um lugar do qual é impossível escapar. A
escuridão é insuportável. A certeza da tragédia é inevitável. O
incômodo é terrível. A ausência da água mostra a tragédia da sede,
que não pode ser dessedentada e reforça a idéia de que não há
perspectiva de sobrevivência.
"Libertei os teus
cativos..."
É tremendo saber que
nosso Deus, em sua onisciência, conhece os que se acham na prisão do
sofrimento... O Senhor não está ausente na nossa dor... Seus
olhos não estão fechados para as nossas tragédias pessoais. Mas Ele
não apenas é Onisciente, é também Onipotente! Ele tem o poder de
libertar os prisioneiros. Quem pode escravizar aqueles a quem Deus
liberta?
A Libertação é fruto do pacto! "Eu
fiz uma aliança com vocês, que foi selada com sangue". (BLH) Aqueles
que conhecem a bênção do Pacto e do poder do sangue de Cristo já não
se sentem mais prisioneiros: "(...) estáveis naquele tempo sem
Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da
promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas, agora, em
Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo
sangue de Cristo"(Efésios
2.12-13).
"Ó presos de esperança, voltai à
fortaleza..."
Os libertos da
"cova sem água" são os "presos de esperança"! Estes são chamados a
voltar para a fortaleza. 'Fortaleza' é uma imagem lindíssima para a
segurança. Os "prisioneiros da esperança" saem da cova sem água para
a fortaleza. Da angústia, para a alegria. Da dúvida, para a certeza.
Do medo, para a confiança. Da guerra, para a paz. Da morte, para a
vida...
No momento da dor, quando nos sentimos
dentro de uma cova sem água, e nos sentimos angustiados, podemos
perder muitas coisas. O sentimento de estar preso pode tirar-nos a
luz, mas não tem o poder de nos tirar a esperança de ver o sol. O
sofrimento pode nos trazer as lágrimas, mas não tem o poder de nos
tirar a esperança de nos alegrarmos. A esperança não pode ser tirada
de nós, a menos que a percamos de forma voluntária. Ainda que presos
dentro de uma cova sem água, podemos estar presos à esperança. "Ora,
a esperança não confunde" (Romanos, 5.5). A
esperança não falha porque o nosso Deus é "o Deus de esperança"
(Romanos, 15.13), "e o próprio Senhor nosso,
Jesus Cristo, e Deus nosso Pai que nos amou e pela graça nos deu uma
eterna consolação e boa esperança" (II Tessalonicenses,
2.16).
"Também hoje anuncio que te
recompensarei em dobro..."
O tempo é
agora! Deus promete que a libertação e a restituição são no tempo
presente! E quão tremendo é saber que Deus é abundante em Sua graça:
"restaurarei em dobro" (JÓ, 42.10): "Mudou o
Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus inimigos, e o
Senhor deu-lhe em dobro tudo o que antes possuía". Isaías, 61.7: "Em
lugar de vossa vergonha, tereis dupla honra; em lugar da afronta,
exultareis na vossa herança; por isso, na vossa terra possuíreis o
dobro e tereis perpétua alegria".
Deus nos
chama para sairmos do poço sem água, para entrarmos na fortaleza do
seu amor! Deus nos propõe a liberdade, a restauração e a
restituição! "Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e
paz na vossa fé, para que abundeis na esperança pelo poder do
Espírito Santo." (Romanos,
15.13)
Rev.Ézio Martins de
Lima
Igreja
Presbiteriana Independente Central de Brasília -
DF