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Ambiente Literário 2 |
A LENDA DA ROSA BRANCA Houve um tempo , e ainda há, em que o desamor tomou conta da humanidade. A cobiça , a inveja e ambição, trigêmeas univitelinas, grassaram por entre todas as nações e geraram a fome, a guerra e miséria, suas filhas primogênitas. Os homens entregavam-se aos seus desejos e vontades,caminhando, sem perceber, para um abismo sem fim. As searas queimadas e abandonadas compunham um triste cenário O deus da vez era o dinheiro, o homem passou a valer pelo que tinha e não por aquilo que era. Os mais abastados evitavam contato com os menos afortunados, tratando-os como gado subserviente, úteis apenas para gerar a sua riqueza enquanto que estes se tornavam cada vez mais pobres e sem esperanças. As multidões solitárias caminhavam pela terra sem rumo e sem destino, vivendo apenas para sucumbir aos vícios de uma sociedade deteriorada pelas vãs concupiscências da carne. "Comei, bebei e diverti-vos, pois amanhã morreremos e deste mundo nada se leva" passou a ser a religião de muitos. E assim os homens daquele tempo ocupavam-se de satisfazer suas vontades, abrindo covas para os seus semelhantes, soterrando sonhos e esperanças, na ilusão de que isso poderia de alguma forma satisfazê-los. Mas, como todo ser humano, quanto mais tinham mais desejavam ter e acumular. No entanto,em algum lugar há muito esquecido, havia um humilde jardineiro que entre cardos e espinhos, em um solo ressequido, teimava me fazer vingar uma mirrada roseira. Dia após dia lutava contra as ervas daninhas que cresciam rapidamente em seu jardim. revolvia o solo e regava-o com seu suor e suas lágrimas, num trabalho anônimo e despercebido. Passaram-se os dias, semanas, meses e anos, e a roseira sofria o ataque de formigas, a geada e a fraqueza do solo. Suas mãos calejadas e manchadas de revolver a terra, tinham a aspereza própria do trabalho duro e constante. Um dia a roseira começou a vicejar, seus poucos galhos ressequidos começaram a ganhar pequenas e verdes folhas. O mundo a sua volta era cada vez mais sombrio, quase ninguém mais se preocupava em cultivar o belo , a artificialidade substituía Mas eis que milagres acontecem, pois nada resiste à força do amor O jardineiro aumentou seu zelo, redobrou os cuidados com sua roseira e agora a regava com as lágrimas de sua alegria, vendo brotar a sua utopia que foi cultivada no meio da dor. A rosa se abriu, um dia afinal, alva como a neve, e era tão forte o seu perfume que espalhou-se pela vizinhança atraindo pra lá primeiro as crianças que traziam ainda em si, inocência e esperança. A noticia logo se espalhou, e a rosa cada vez mais perfumada, pelo jardineiro tanto tempo cultivada, era pra muitos um divino sinal. O jardineiro, avesso à fama, apenas murmurava para quem o quisesse ouvir: Outros ouviram e creram nas palavras do jardineiro e cada qual foi cuidar do seu jardim, pequenas roseiras foram cultivadas, e o povo mais alegre se tornou, aos poucos as rosas enfeitavam estradas, foram pela terra aos poucos espalhadas e o mundo sombrio se perfumou. E aquela rosa branca, única e especial, foi a primeira e até hoje é lembrada e por muitos honrada e foi batizada com nome de PAZ. Como está o teu jardim hoje ?
Jorge Linhaça
e já quase não havia quem delas se ocupasse com amor.
As grandes plantações mecanizadas afastavam cada vez o homem da presença de Deus.
Compre! Tenha! Finja! Minta!
Eram as palavras de ordem que ecoavam na mente de quase todos os seres.
Mas o jardineiro não desistia.
O jardineiro alegrou-se e continuou a sua lida, agora com a esperança a renascer em seu âmago.
o que de verdadeiro havia.
e deu frutos a paciência do jardineiro/lavrador pois, no alto da roseira surgiu o botão de uma delicada flor.
- A rosa que vês, tão linda e singela, nasceu do cuidado que tive por ela, vê-de aqui minhas calejadas mãos ...
Mas as rosas podem ser por todos cultivadas, desde que haja amor no coração.
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