Orkut Gmail Agenda Docs Web mais »
Grupos visitados recentemente | Ajuda | Acessar
Página inicial dos Grupos do Google
O CARRO CAÍDO .Jorge Linhaça -série folclore brasileiro -formatação do autor-
Há um número excessivo de tópicos que aparecem em primeiro plano neste grupo. Para fazer com que este tópico apareça primeiro, elimine essa opção de um outro tópico.
Erro ao processar a solicitação. Tente novamente.
sinalizar
  1 mensagem - Recolher todas  -  Traduzir tudo para Traduzido (ver todos os originais)
O grupo no qual você está postando é um grupo da Usenet. As mensagens postadas neste grupo farão com que o seu e-mail fique visível para qualquer pessoa na internet.
Sua resposta não foi enviada.
Postagem publicada
 
De:
Para:
Cc:
Encaminhar para
Adicionar Cc | Adicionar Encaminhar para | Editar Assunto
Assunto:
Validação:
Com o objetivo de verificação, digite os caracteres que você vê na figura abaixo ou os números que ouvir ao clicar no ícone de acessibilidade. Ouça e digite os números que ouvir
 
Jorge Linhaça  
Ver perfil   Traduzir para Traduzido (ver original)
 Mais opções 7 set, 15:59
De: Jorge Linhaça <anjo.lo...@gmail.com>
Data: Mon, 7 Sep 2009 15:59:44 -0300
Local: Seg 7 set 2009 15:59
Assunto: O CARRO CAÍDO .Jorge Linhaça -série folclore brasileiro -formatação do autor-

      O CARRO CAÍDO
      Jorge Linhaça

      O negro vinha da Aldeia Velha
      Velho carreiro cortando o estradão
      Nas rodas muito sebo e carvão
      A chiadeira cortava o sertão
      Puxavam o carro duas parelhas

      O João levava no carro um sino
      Pra na Capela de Estremoz tocar
      O povo aguardava o sino chegar
      Já fervilhava de gente o lugar
      Doido para ouvir o som do bronzino

      Era o carreiro de nome João
      Negro vivido na lida indolente
      Guiava o carro meio dormente
      Lá despertava assim num repente
      Pra nas parelhas tocar o ferrão

      Ia  cantando uma negra toada
      Dessas que cortam o peito por dentro
      O bois marchavam pela noite adentro
      Como que a entender do negro o lamento
      Firmaram o passo ao longo da estrada

      Era lua cheia no céu pendurada
      João dormitava olhando pra ela
      Aí começou a sua mazela
      Os bois pararam na estrada velha
      Nem adiantou dar-lhes mais ferroadas

      Diabo! Gritou bem alto o carreiro
      Foi quando a coruja mortalha rasgou
      E o seu piar no céu ecoou
      E como que a voz de Deus o avisou
      Pra não evocar o demo matreiro

      Mas o João, se ouviu nem ligou,
      Nem se lembrava do sino sagrado
      Lá na capela a ser esperado
      Queria é dar conta do recado
      E o maldito outra vez evocou

      O demo gritou lá das profundezas
      Quem me evoca?- Gelou-se o João!
      Numa voz de cortar o coração
      Como a despedir-se do seu sertão
      Pôs-se a cantar com imensa tristeza.

      Mais uma vez caiu na soneira
      Quando acordou no que viu não deu fé
      Estava a boiada ereta em dois pés
      Como se fossem um homem qualquer
      Pronunciou pela vez derradeira:

      Diabo! -Cá estou!-disse o tinhoso
      E o carro pra lagoa arrastou
      O negro, os bois e o sino levou
      Só mesmo a lenda do carro ficou
      E de ouvir-se seu canto choroso

      Dizem que o negro ainda carreia
      No fundo do lago cantando a toada
      Toca o sino; do carro a chiada;
      Ouve-se o gemer de sua boiada
      Quando na quaresma o dia clareia.

      Arandu, 7 de setembro de 2009

      ***

      Contatos com o autor
      anjo.lo...@gmail.com
      ***
      Mid: carro de boi -Tonico e Tinoco

      ****
      Poema inspirado no texto de Luiz da Câmara Cascudo
      O negro vinha da Aldeia Velha, servindo de carreiro. O carro tinha muito sebo com carvão nas rodas e chiava como frigideira. Aquilo não acabava nunca. Sua Incelência já reparou os ouvidos da gente quando está com as maleitas? Pois, tal e qual.

      O carreiro era meu charapim: acudia pelo nome de João, como eu. Deitou-se nas tábuas, enquanto os bois andavam para diante, com as archatas merejando suor que nem macaxeira encroada. Levavam um sino para a Capela de Estremoz. Na vila era povo como abelha, esperando o brônzio para ser batizado logo. João de vez em quando acordava e catucava a boiada com a vara de ferrão: - Eh, Guabiraba!, eh, Rompe-Ferro, eh, Manezinho! Era lua cheia.

      Sua Incelência já viu moeda de ouro dentro de uma bacia de flandres? Assim estava a Lua em cima. João encarou o céu como onça ou gato-do-mato. Pegou no sono, e o carro andando... Mas a boiada começou a fracatear, e ele quando acordava, zás! - tome ferroada! Os bois tomaram coragem à força. Ele cantou uma toada da terra dos negros, triste, triste, como quem está se despedindo. Os bois parece que gostaram e seguraram o passo.

      Então ele pegou de novo no sono. Quando acordou, os bois estavam de novo parados. - Diabo! E tornou a emendá-los com o ferrão! A coruja rasgou mortalha. João não adivinhou, mas a coruja era Deus que lhe estava dizendo que naquela hora e carregando um sino para a casa de Nosso Senhor não se devia falar no Maldito. Gritou outra vez: - Diabo!

      O Canhoto então gritou do inferno: - Quem é que está me chamando? João a modo que ouviu e ficou arrepiado. Assobiou para enganar o medo; tornou a cantar a toada, numa voz de fazer cortar o coração, como quem está se despedindo. Pegou ainda no sono uma vez. Se a luz da Lua escorrendo do céu era que nem dormideira! Quando acordou - aquilo só mandando! - a boiada estava de pé. - Diabo! O Maldito rosnou-lhe ao ouvido: - Cá está ele!

      E arrastou o carro para dentro da lagoa com o pobre do negro, os bois e tudo. Estou que ele nem teve tempo de chamar por Nossa Senhora, que talvez lhe desse socorro. Mas ainda está vivo debaixo d'água, carreando... Sua Incelência já passou por aqui depois da primeira cantada do galo no tempo da Quaresma? Quando passar, faça reparo: - canta o carreiro, chia o carro, toca o sino e a boiada geme...

      Cascudo, Luís da Câmara. Lendas Brasileiras para Jovens. São Paulo: Global Editora, 2006

      Contatos com o autor
      anjo.lo...@gmail.com

      Mid: carro de boi -Tonico e Tinoco

  o carro caidotag.jpg
55K Download

  carrocaidopp.jpg
27K Download

  sertaneja_tonico_e_tinoco_carro_de_boired.wav
225K Download

  Jorge Linhaça.vcf
< 1K Fazer download

    Responder ao autor    Encaminhar  
É necessário Acessar antes de postar mensagens.
Para postar uma mensagem você precisa primeiro participar deste grupo.
Atualize seu apelido na página de configurações da inscrição antes de postar.
Você não tem a permissão necessária para postar.
Fim das mensagens
« Voltar às Discussões « Tópico recente     Tópico antigo »

Criar um grupo - Grupos do Google - Página inicial do Google - Termos de Uso - Política de Privacidade
©2009 Google