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UM VAZIO INTERIOR
(ou ver no arquivo abaixo com formatação de Angelica Lepper)
Às vezes a vida te tira
todo motivo de viver.
Sem ânimo, sem vontade,
às vezes, até sem apetite, sem vaidade.
Aí então só,
quando nenhum amor te afagar o coração;
quando até perderes o interesse pelo corriqueiro;
quando não mais conseguires te suster
com a amizade e a beleza da vida;
quando a força de um ideal não há;
quando, enfim, sem nenhum motivo
que te soerga e te faça feliz viver;
quando nesta fraqueza, nesta solidão,
diante do nada, com um vazio coração...
Só aí então
poderás ter a coragem
de olhar para a inexistência,
e sem outra saida,
amar tua própria dor, até que ela passe,
e de novo a ti volte o amor.
Ou poderás, quem sabe,
já que estás diante do nada,
do nada tentares criar
a força para se levantar.
Diante do nada tentares descobrir
a razão do teu existir.
Do vazio do teu coração
plasmares uma imagem que te dê a mão.
Na inexistência de motivos,
formares em ti mesmo os teus próprios incentivos.
Se isto te for possível,
se descobrires como criar do nada,
terás então se unificado
com teu Deus, o Criador.
Serás então igual a Êle,
poderoso e imune à dor?...
Luiz a. v. Spinola, out/2000
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