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A MULHER E A LIBERDADE
A opressão, a exploração, e mais recentemente, a discriminação que a mulher tem sido vítima, é uma prova evidente do instinto de apropriação e domínio inato no ser humano. Este instinto provêm das mais remotas origens, e está ligado à necessidade de proteção e preservação da maioria das espécies animais. Nelas, os machos tem primazia para poderem exercer sua função de controle e domínio adequados à necessidade de proteger famílias e grupos sociais.
No entanto, há muitos séculos, o ser humano transpôs a barreira de seus instintos mais primitivos. Gradativamente, no decorrer de alguns poucos milênios, a civilização em constante desenvolvimento “aculturou-se” o suficiente para prescindir da preeminência e liderança do seu elemento masculino: o homem. Em contraposição, a mulher iniciou-se em seu processo de independência, de libertação e, nos dias de hoje, caminha para consolidar a sua completa emancipação.
Se no passado os homens “precisavam” sobrepujar e dominar as mulheres a fim de exercerem adequadamente a sua função de defesa e proteção, hoje, embora a missão militar seja exercida principalmente pelos homens, tal posição já não lhes confere o direito de primazia e controle sobre as mulheres. Nas idades primitivas os humanos tinham muitos inimigos : além de outros grupos, animais perigosos e a própria inospitalidade do ambiente. É provável que devido a estes problemas eles foram forçados a se agregarem em unidades sociais cada vez maiores. (famílias em tribos; tribos em clãs e clãs em nações). O homem rude da antiguidade dominava as mulheres e crianças (excepcionalmente, alguns povos desenvolveram sociedades matriarcais) com a finalidade de preservação e sobrevivência mas, com certeza, desde estes primórdios e até aos dias de hoje, o elemento masculino, aproveitando-se desta posição, sujeitou e sujeita a mulher a seu mando, num grau bem acima do que lhe era e lhe é devido.
A mulher emancipada participa na “luta pela sobrevivência”, que agora traduz-se não na defesa contra “animais ferozes”, por ex, mas na conquista necessária aos meios de subsistência, na aquisição do conhecimento, nas regras de partilhamento e na criação dos princípios da convivência social.
Atualmente, pode-se afirmar que o único inimigo do ser humano é o próprio ser humano. E, em se considerando como defender-se de suas próprias ciladas, as mulheres são exímias lutadoras.
A mulher, possuidora de uma natureza mais intuitiva e interiorizada, dispõe-se positivamente a resolver conflitos pela diplomacia, pelo entendimento e pelo acordo final. É disso que os humanos de hoje necessitam para combaterem os seus maiores inimigos: as seqüelas de suas lutas passadas: o que restou de seu instinto de apropriação e domínio.
As mulheres devem dar continuidade a seu processo de emancipação e tornarem-se completamente livres das imposições e predomínios dos homens, até o ponto onde suas oportunidades, seus direitos e seus deveres se igualem.
Mulheres e homens devem prosseguir em sua luta contra aquilo que mais os prende às suas origens: o seu desejo desmedido de posse, de controle e de domínio. Só assim a verdadeira liberdade virá para ambos!
Luiz A V Spinola, março/2007 Reeditado em 07/março/2008
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