> Manifestação na Esplanada cobra preservação do cerrado
> Lizoel Costa
> Como ontem foi o Dia Nacional do Cerrado, organizações não-governamen-tais
> (ONGs) e ativistas da área ambiental realizaram à tarde em frente ao
> Congresso Nacional, uma manifestação em favor da Proposta de Emenda
> Constitucional 115, que inclui o cerrado e a caatinga como patrimônio
> nacional.
> Os manifestantes entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo
> Chinaglia (PT-SP), uma carta e uma lista de assinaturas pela aprovação
> imediata da emenda.
> A carta denuncia a devastação que o cerrado sofre, ameaçando, entre outros
> males, o fornecimento de água doce no Brasil, além de levar o país a uma
> crise energética. O documento também chama a atenção para o índice de 70%
> de destruição do bioma e as ameaças às comunidades tradicionais de
> índigenas, quilombolas e ribeirinhos, devido ao avanço da exploração
> agrícola na região.
> Patrimônio nacional
> Segundo o arquiteto Marcelo Baiocchi, coordenador do Sindicato dos
> Arquitetos do DF e um dos ativistas presentes à manifestação, a PEC 115 é
> uma emenda ao artigo 225 da Constituição e foi formalizada em 1995.
> - Mais de 13 anos se passaram, três eleições aconteceram e os senadores e
> deputados ainda não colocaram a PEC para votação em plenário. Temos que
> exigir de nossos representantes a obrigação de defender o nosso patrimônio
> - afirma ele.
> Para Baiocchi, apesar do seu tamanho e importância, o cerrado é um dos
> ambientes mais ameaçados do mundo.
> - Dos mais de dois milhões de km² de vegetação nativa, restam apenas 20% e
> a expansão da atividade agropecuária pressiona cada vez mais as áreas
> remanescentes - lamenta ele, lembrando que essa situação faz com que a
> região seja considerada um grande ponto de acesso de biodiversidade e, por
> isso, deve receber especial atenção de governo e populaçãopara a
> conservação dos seus recursos naturais.
> Destruição em larga escala
> Baiocchi diz que estudos realizados pelos pesquisadores do Programa
> Cerrado da organização ambientalista Conservação Internacional
> (CI-Brasil), indicam que o bioma corre o risco de desaparecer até 2030.
> - Dos 204 milhões de hectares originais, 57% já foram completamente
> destruídos e a metade das áreas remanescentes está bastante alterada,
> podendo não mais servir aos propósitos de conservação da biodiversidade.
> Para o ativista ambiental, o desmatamento é alarmante, chegando a 1,5% ou
> três milhões de hectares ao ano.
> - Isso equivale a 2,6 campos de futebol por minuto. Esforços de todos os
> setores da sociedade são necessários para reverter esse quadro - assegura.
> Respeito pela fauna
> Presente à manifestação, Dandara Aiache, que se apresenta como uma
> encantadora de pássaros, pelo trabalho que realiza na recuperação de aves
> no perímetro urbano do DF, explica que estava lá pela necessidade de apoio
> à preservação ambiental.
> - O cerrado tem uma fauna de aves fabulosa e eu não poderia deixar de
> participar de um movimento que pede respeito por elas - confessa a
> ativista, argumentando que a PEC precisa ser aprovada e os políticos não
> podem ficar indiferentes.
> O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) faz desde quarta-feira, uma
> programação para lembrar a data. Roberto Suarez, superintendente de gestão
> de áreas protegidas do Ibram, lembra que o cerrado não é mais nem menos
> importante que qualquer outro bioma.
> - As pessoas ainda não perceberam a importância desse patrimônio. Para
> homenageá-lo, o Ibram firmou uma parceria com a Agência de Cultura de
> Goiás e trouxe para Brasília os filmes vencedores do tradicional Festival
> Internacional de Cinema Ambiental, realizado durante a Semana do Meio
> Ambiente na cidade histórica de Goiás - confirma ele, acrescentando que
> será montada uma exposição de artistas populares do cerrado, no saguão do
> auditório na ala central do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com o
> título de Todos os mestres que enriquecem a nossa vida.