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Mal que vem por bem
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Thu, 22 Feb 2007 20:19:29 -0800 (PST)
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Fri, 23 Feb 2007 04:19:28 +0000 (UTC)
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From: "Robson Braga Abrantes" <bragaabran...@gmail.com>
To: "=?iso-8859-1?q?Ambiente_Ecol=F3gico_2?=" <ambienteecologico2@googlegroups.com>
Subject: Mal que vem por bem
Date: Thu, 22 Feb 2007 20:19:28 -0800
Message-ID: <1172204368.496842.257210@m58g2000cwm.googlegroups.com>
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Todo idealista tem um ponto de partida do qual come=E7a a
defender determinada id=E9ia. Ningu=E9m nasce defendendo alguma causa.
Aprendemos a levantar bandeiras com o tempo, e, sempre h=E1 um momento
chave, o ponto de partida. Assim aconteceu comigo para que eu me
alistasse na luta pela preserva=E7=E3o do meio ambiente. Este tema sempre
me agradou, mas eu me entreguei =E0 causa no ano de 2004 em uma das
v=E1rias viagens que j=E1 fiz no munic=EDpio de Capelinha, que fica na
regi=E3o do Vale do Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Naquela
viagem, meu pai levou-me para conhecer o terreno onde fora criado,
numa zona rural apelidada "paiol de fora".
O lugar =E9 presenteado por uma linda reserva natural de
cerrado e uma maravilhosa fauna, al=E9m de alguns c=F3rregos com =E1guas
realmente cristalinas. Por=E9m na =E9poca daquela visita, a paisagem n=E3o
estava das melhores. Em pleno janeiro, chovia pouco e a temperatura
estava alt=EDssima. O cerrad=E3o estava seco e quase n=E3o se via animais
pela estrada. Eu achei o fato estranho, mas meu pai confirmou que nos
tempos de sua juventude j=E1 tinha visto secas piores. Quando chegamos
na fazenda meu velho reconheceu a antiga entrada, suspirou de alegria,
mas se assustou com um fato: um pequeno c=F3rrego que passava pela
estrada estava totalmente seco. Segundo meu pai, mesmo nos tempos de
secas prolongadas, o c=F3rrego nunca havia secado. Era uma verdadeira
calamidade.
Entramos na fazenda e logo chegamos na sede, onde
encontramos com o dono, considerado por meu pai como um irm=E3o.
Enquanto os dois relembravam os tempos em que viveram juntos, fiquei
refletindo sobre o c=F3rrego seco: "Se n=E3o era a falta de chuvas, qual
seria, ent=E3o, o motivo da escassez de =E1gua?" N=E3o resisti a curiosidade
e chamei um dos meus primos, por nome Jeferson, para subirmos at=E9 a
nascente.
Andamos alguns hect=F4metros e chegamos ao lugar. Logo obtive
minha resposta: Toda a mata ciliar havia sido derrubada. Voltamos =E0
sede e questionamos o desmatamento. Para a nossa surpresa o autor da
trapalhada era meu pr=F3prio tio! Meu primo Jeferson, que =E9 grande
conhecedor da =E1rea ambiental, explicou ent=E3o os motivos da seca do
c=F3rrego. Felizmente, meu tio aprendeu a li=E7=E3o e nunca mais interferiu
na mata ciliar do c=F3rrego. Gra=E7as ao bom Deus, o manancial n=E3o secou
mais.
Apesar de calamitosa, a atividade realizada por meu tio teve
um lado ben=E9fico. A partir daquele dia passei a me preocupar
seriamente com a vida do planeta. Observei de perto, toda a teoria que
j=E1 havia aprendido e senti nos ombros a responsabilidade que temos de
preservar este lindo planeta. Desde ent=E3o minha consci=EAncia sempre me
lembra que n=E3o posso ser apenas mais um c=FAmplice desta pat=E9tica
destrui=E7=E3o.