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O AQUECIMENTO PLANETÁRIO (IV)    

 

O AQUECIMENTO PLANETÁRIO ( IV )

 

ATENÇÃO : PARA COMPREENDER O TEXTO, LEIA AS PARTES (I), (II) e (III)

EM :

O AQUECIMENTO PLANETÁRIO I, II e III

 

  

 

Uma notícia, hoje, preocupou-me : “Cientistas da Nasa prevêem que as geleiras poderão se derreter em 2012”—uma grande antecipação em relação às previsões anteriores, que projetavam o derretimento para os anos 2040 a 2100.

 

Em “O aquecimento planetário ( III )”, prudentemente, observei : “...Com esta ressalva, exclui-se qualquer possibilidade de se fazer sensacionalismo, criando um ambiente de apreensão cataclísmica...” No entanto, sinto ser necessário, também estimulado pela prudência, expor com realismo as  conclusões apresentadas de uma forma mais incisiva. A intenção de “não se criar um ambiente de apreensão cataclísmica” ainda continua, porém fatos recentes sobre conseqüências negativas geradas pelo aquecimento planetário exigem exposições mais rápidas, tendencialmente precisas e que se transformem em eficazes elementos de alerta.

 

Ora, se as sérias alterações geológicas, climáticas e biológicas têm suas causas no aquecimento global provocado pelos gases-estufa, quanto mais intensas e imprevisíveis no tempo seriam as alterações causadas pelo aquecimento planetário, este provocado pelos gases-estufa, pela diminuição da transformação de energia no processo fotossintético, pelo acréscimo calorífico das atividades humanas e, principalmente, pela não-absorção de imensas quantidades de energia que “esquentam” as superfícies não-arborizadas “pressionando” a volta ao espaço do excedente de energia?

 

A que resultados aterradores chegarão os homens quando perceberem que todo e qualquer fruto de sua inventividade artificiosa provoca, direta e indiretamente, aquecimento da atmosfera e das superfícies sólidas e líquidas do planeta?

 

Mas, então, está a civilização, pelo menos da forma pela qual a conhecemos, condenada?

 

Ações simbólicas são tidas como “exemplares de desenvolvimento sustentável”; ações minimamente amenizantes são consideradas como soluções definitivas; irrisórias economias, modismos exibicionistas e todo um conjunto de demagogia ambiental alardeiam conceitos que aparentam salvar o mundo através da educação. O CO2, apropriado pelos capitalistas, já se tornou uma moeda!... O mesmo sistema que cria condições deletérias, oculta-as a fim de manter o seu destruidor ritmo de crescimento. Incrível!...

Como podem os poderes públicos—a nível mundial—, as empresas e levas de indivíduos conduzidos por interesses de classes, terem execrado os pioneiros “exóticos” que defendiam a natureza e a vida comunitária desde os anos 60?...E depois ainda se apropriarem dos princípios básicos de “uma nova aldeia global”, para corrompê-los e adaptá-los—reduzindo-os a símbolos e amenidades—a fim de manterem seu pretenso crescimento econômico?

 

Impossível! Os homens estão iludidos em suas atuais aspirações!

 

Uma das participantes em um curso de educação ambiental sugeriu uma frase e um desenho representativo (a serem estampados nas camisetas) : “A festa está boa, mas o gelo acabou !!”.

Ironicamente, o gelo das geleiras já tem um ano previsto para o seu derretimento—e vai acabar.

 

A frase da moça sugere que está na hora de desligar o som e apagar as luzes, porque a festa acabou. E se os candidatos insistirem em permanecer?... O que acontecerá?... Rolarão bebidas, drogas, estrondos, conturbações e brigas pela madrugada afora? Certamente!...E o que restará? : Uma casa toda depredada, com seus móveis destruídos, suas paredes cravadas por balas, seus pisos ensanguentados...É isso que queremos para nossa casa “o planeta terra”?...É claro que não! Então, é melhor pararmos a festa no horário adequado, porque se insistirmos em continuar...!

 

“A festa está boa!!” significa toda facilidade e conforto promovidos pela tecnologia. Significa todo impulso positivo para a criatividade e a engenhosidade que antecedem os recursos materiais. Isto tudo é muito correto e bom, mas o gelo acabou.

 

O gelo significa um ponto máximo possível e ideal de equilíbrio entre as interferências humanas e as capacidades da natureza. E pode-se afirmar que, há muito, este ponto excedeu-se. O gelo é toda possibilidade concreta, no espaço e no tempo, dos seres humanos harmonizarem-se com seu meio ambiente e com toda a vida que os cerca—o seu meio biológico. O gelo é o conceito da verdadeira sustentabilidade, bem longe do que dizem por aí a seu respeito, pois não consideram cada seccionada sustentabilidade dependente de sua integração sistêmica. Um projeto pode ser sustentável em si mesmo, porém, com certeza, insustentável, se compreendido sistemicamente como parte de um gigantesco projeto insustentável de crescimento ininterrupto.

 

O gelo acabou. Pelo menos por enquanto : Não há mais tempo para simbolizar pequenas ações em favor do meio ambiente; não adianta mais economizar água e luz; de nada servirá sermos partidários de “energias limpas”; não mais adianta plantar árvores em divulgados projetos—pois só bilhares é que resolveriam. Não é pessimismo. É realismo! Não dispomos mais de tempo para tentarmos morosamente rearranjar a casa com a adoção de projetos seccionadamente sustentáveis. Os homens só têm uma alternativa—se quiserem se salvar como existem hoje, e a milhares de outras espécies— : Estratégicamente, e por um certo tempo, pararem de crescer, retrocederem e refugiarem-se em seus dias antigos.

 

Esta é uma figura de retórica?...Ou é realmente nossa única opção, até que novos valores e novas perspectivas nasçam para nortearem uma nova civilização?...

(Não se desespere! Na continuação, em (V), tentaremos “otimizar” a realidade)

 

 

Luiz A. V. Spinola, dezembro/2007

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