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Postagem relevante dos últimos dias nos Grupos-Ambiente : Espaços Verdes nas Escolas : Um Desafio para o Futuro !!
Foto abaixo : Estas crianças, alunos da escola do "Arrecife", uma comunidade rural em Livramento de Nossa Senhora - Bahia, receberam aulas ao ar livre e ajudaram a Embora tenha sido um projeto interessante, foi pouco ....muito pouco. O espaço foi improvisado no quintal da casa dos professores, embaixo de um "umbuzeiro".
A premente necessidade de harmonia entre a atual civilização e a natureza já está a exigir um modelo educacional voltado a atender esta crescente lacuna. Isoladamente, ou orientadas por órgãos superiores, as pré-escolas e as escolas de primeiro e segundo grau estão "fazendo o que podem" para corresponderem à sua missão de educadores frente às necessidades que , em ritmo histórico acelerado, apresentam-se por um mundo densamente habitado pelos humanos, em franca globalização e desorientado diante das consequências negativas provocadas em seu meio ambiente.
Horta escolar comunitária, gincanas ecológicas, teatralização com a temática ambiental, exposição de plantas medicinais, distribuição e plantio de mudas de árvores, e outros, são meritórios projetos que, se plenamente concretizados, muito acrescentam nos exigentes passos e no extenso caminho a ser trilhado pelo sistema de ensino. No entanto, especialmente quando executadas como ações isoladas e descontínuas, representam pouco, muito pouco para suprirem as necessidades de conscientização e vivência adequadas requeridas por crianças e jovens deste mundo em apressada transição.
Os educadores estão diante de uma difícil tomada de decisão : ou escolhem transmitir conceitos e práticas que se harmonizem com a filosofia antropocêntrica, onde a vida, a natureza, as matérias e as energias podem ser pelos homens dominadas e controladas, moldando-as a seu bel-prazer às suas necessidades, interesses e desejos, ou, tendendo a um posicionamento mais biocêntrico, escolher uma via dupla : de um lado, apoiados por sua enorme potencialidade intelectiva e decorrente responsabilidade, e de outro lado, reconhecendo sua dependência e interdependência perante a vida e as macro-grandezas que os rodeiam.
Se os homens puderem ser os centros do universo, então que os educadores continuem a ensinar às criancinhas e aos alunos como se contam, como se escrevem, como se preparam para conseguirem uma vaga de emprego técnico dentre cem ou mais concorrentes. Que se estimulem os aprendizandos à ciência dos bens e recursos tecnológicos, especialmente a dos brinquedos e a dos shoppings. Que se digam a eles que podem chupar chicletes e tomar coca-cola, pois a ciência médica fará descobertas que sanarão seus futuros males de saude. Que sejam orientados a usufruirem ao máximo das facilidades modernas provindas do crescimento econômico interminável, desde que "apaguem a luz", "fechem a torneira", "plantem algumas árvores" e sejam "bonzinhos" nas salas de aula....
É pouco. Muito pouco. Pouquíssimo !! As consequências negativas provocadas ao meio ambiente e à vida no planeta terra pelos próprios seres humanos são, hoje, de tal monta, que lições e ações amenizantes e simbólicas quase nada representam diante de uma realidade que exige profundas mudanças de valores, hábitos e comportamentos.
Os sinais conduzem à conclusão de que as escolas de um futuro próximo exibirão espaços físicos verdes e movimentados, dedicados à transmissão de um conhecimento inovador capaz de estimular os emergentes seres humanos a amarem todos os seres vivos e a aprenderem com eles a sabedoria da convivência e da interdependência. Que a filosofia de ensino, no futuro, não homogeneize aquilo que inerentemente é tendência específica de cada aluno. Que os simpatizantes das plantas medicinais sejam treinados nas técnicas oferecidas pelo Herbário e, quem sabe, em como deslindar os sutis segredos das plantas do Herbanário. Que os que mostrarem propensões para as hortícolas se envolvam com o planejamento da horta, sua construção, manutenção e a aplicação das verduras produzidas. Que os que forem mais amantes das árvores se envolvam com a produção de mudas e com os projetos permanentes de reflorestamento. E finalmente, que aqueles que, por passados psicológicos inadequados, demonstrarem desinteresse pelas plantas e pelos animais sejam amavelmente orientados sobre a importância das questões ecológicas e ambientais a fim de, também eles, se envolverem com as áreas verdes didáticas e os espaços anexos dedicados aos animais.
O ensino orientado às propensões de cada aluno deve ser uma constante em franco crescimento para as escolas do futuro. Não apenas nos seccionados e dedicados espaços verdes e, digamos, "animados", onde os estudantes devem ser agrupados em turmas que se sintonizem em suas necessidades, aspirações e tendências, mas também dentro das salas de aula, nos laboratórios e na escolha das disciplinas a serem estudadas, tal seccionamento deve ser adotado. Não obstante o ensino deva ser direcionado, a consciência do "além de si mesmo", da alteridade e da cidadania planetária, concomitantemente, devem ser disseminadas.
O modelo que generaliza o conteúdo a ser ensinado mostra-se cada vez mais inadequado para suprir as necessidades destes novos tempos : a capacitação técnica e prática para a resolução dos problemas do dia a dia e a aplicação de conhecimentos na auto-produção e no empreendedorismo familiar : a qualidade de vida é melhorada não somente pela inclusão dos indivíduos no mercado de trabalho convencional. Além disso, o ensino deve ser adaptado às necessidades de cada região, e ainda mais detalhadamente, à realidade de cada localidade onde residam os alunos - área rural ou urbana, por exemplo.
Estarão os atuais doutores em educação - e os gestores dos diversos níveis educacionais -preparados para cumprirem seu papel de concientizadores não apenas de seus companheiros de atuação, mas especialmente dos políticos( a fim de se imbuirem da necessária vontade transformadora ), além de - ainda os doutores e os gestores - sensibilizarem direta e indiretamente a opinião pública ?
Esperemos que sim...., porém esta urgente e necessária reforma nas bases educacionais deverá ser sistematicamente compreendida, absorvida e implementada por todos os atores envolvidos : Os expoentes da educação, os administradores, os professores, os políticos e, na verdade, em primeiro e estrutural lugar, os pais dos educandos e a sociedade em geral.
Espaços verdes e anímicos nas escolas e ensino direcionado às necessidades e realidades dos alunos, com certeza é um premente desafio perante o futuro de uma humanidade que precisa harmonizar-se com a vida, o planeta terra e o universo, e que deve, desta vez, concretizar seu antigo e almejado sonho : a justiça social e a conquista da verdadeira felicidade.
Luiz A. V. Spinola, agôsto/2008
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