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ESTARÁ CHEGANDO O TEMPO DA ENERGIA EÓLICA NO BRASIL ? - Por Ricardo Young - Conclusões de estudo da Eletrobrás - Compensam os investimentos ? - Matriz energética nacional - Energia limpa, renovável - Só uma dificuldade : a falta de cultura sobre o tema - Peter Senge - A Quinta Disciplina - Instituto Ethos.
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Luiz Antônio Vieira Spinola  
Ver perfil   Traduzir para Traduzido (ver original)
 Mais opções 7 out, 21:47
De: Luiz Antônio Vieira Spinola <tuigobi...@yahoo.com.br>
Data: Wed, 7 Oct 2009 17:47:30 -0700 (PDT)
Local: Qua 7 out 2009 21:47
Assunto: ESTARÁ CHEGANDO O TEMPO DA ENERGIA EÓLICA NO BRASIL ? - Por Ricardo Young - Conclusões de estudo da Eletrobrás - Compensam os investimentos ? - Matriz energética nacional - Energia limpa, renovável - Só uma dificuldade : a falta de cultura sobre o tema - Peter Senge - A Quinta Disciplina - Instituto Ethos.

Enviado por Fred Caju

André Augusto
Pedagogo / Educador Ambiental
31 9161.8410

ANDAR Educação Ambiental |®
andarvivencias.com.br

 Estará chegando o tempo da energia eólica no Brasil?

Por Ricardo Young *
 
Um estudo elaborado pela Eletrobrás –
cuja íntegra será divulgada só em novembro – pode contribuir
decisivamente para impulsionar o uso de energia eólica no Brasil. Sua
aplicação sempre foi considerada “cara”, mas o levantamento feito pela
estatal prova o contrário: a energia eólica é mais barata que as usinas
térmicas a gás e a diesel.

O investimento inicial é alto, mas bastam dez dias para ele começar a
ser mais compensador do que o investimento feito em energia térmica. E
o estudo ainda demonstra que a geração de energia eólica precisa de
dois meses para ficar mais barata do que aquela gerada por outras
fontes. Será que esta constatação feita pela própria Eletrobrás vai
finalmente incentivar a elaboração de um plano de longo prazo para
utilização em larga escala da energia eólica?

Atualmente, ela representa menos de 1% da matriz energética nacional,
com potência instalada de 547 megawatts/ano. As usinas localizam-se
principalmente no Nordeste e no Sul do país, locais onde o regime de
ventos é mais propício a este tipo de atividade. Até o final de 2010,
estima-se que o potencial instalado chegue a 1300 megawatts/ano. A
capacidade instalada no Brasil hoje é de pouco mais de 100 mil
megawatts e vai chegar a 130 mil megawatts em 2013.

A hidreletricidade representa, hoje, 80% da matriz energética. Os
restantes 20% estão divididos entre usinas térmicas a carvão, diesel e
gás, (12%), pequenas centrais e fontes alternativas (8%). Antes da
divulgação deste estudo, previa-se para 2013, o crescimento das
térmicas tradicionais de 12 para 21% na participação da matriz; e de
4,5% das pequenas centrais – cuja geração virá da biomassa. As
hidrelétricas tradicionais deverão recuar sua participação para 69% e a
energia eólica deverá manter seu percentual de participação em torno de
1%.

Estes dados são preocupantes porque mostra uma tendência de “sujar” a
matriz energética, justamente num momento em que é preciso investir
alto em fontes que nos levem a uma economia de baixo carbono. Se as
usinas têm baixo custo de instalação, sua manutenção é cara e tende a
se tornar cada vez mais cara, porque será preciso controlar as emissões
de poluentes. Por sua vez, como mostra o estudo da Eletrobrás, a
energia eólica é uma alternativa competitiva e que, até o momento, não
está sendo considerada com o devido cuidado. Se todo o potencial eólico
brasileiro fosse convertido em energia, teríamos a geração de 272
terawatts/hora por ano (1 terawatt = 1 trilhão de watts), ou a metade
do nosso consumo anual. E mais: nossos períodos de seca, quando os
reservatórios estão baixos, coincidem com as épocas nas quais os
melhores ventos sopram por aqui. Assim, se tivéssemos usinas eólicas
instaladas à força plena, poderíamos usá-las, em vez de q ueimar
combustível e sujar o meio ambiente com as térmicas (a opção disponível
para estas ocasiões).

Este estudo da Eletrobrás apontou outra dificuldade, além do custo,
para a aplicação em larga escala da energia eólica no país: a falta de
cultura sobre o tema. A sociedade não se preocupa com as questões
vinculadas à energia – a não ser quando precisa economizar – e, no caso
específico da eólica, os engenheiros, pesquisadores e outros
especialistas sobre o tema acabam deixando o país para trabalhar em
outros lugares. Assim, um programa não avança porque a tecnologia é
cara. A tecnologia é cara porque não há incentivo à pesquisa. Sem
pesquisa, não há pesquisadores e vamos queimando diesel em arcaicas
usinas térmicas (de fato, qualquer máquina a combustível fóssil será
também fóssil em breve!).

Não é de uma hora para outra que vamos prescindir das termelétricas.
Mas é preciso planejar a obsolescência delas ao mesmo tempo em que se
instalam as novas usinas eólicas. Esta mudança implica levantamento
minucioso de custos e também uma “licença social” para ocorrer, já que
será preciso descontinuar cadeias produtivas antigas em favor de outras
voltadas para a energia alternativa. Como fazer isso de maneira
sustentável e democrática, levando em conta os interesses de todas as
partes envolvidas?

Peter Senge, chefe do Centro de Aprendizagem do MIT, nos EUA, e autor
de “A Quinta Disciplina”, lançou recentemente um livro para tratar
justamente de como empresas, governos e sociedade civil podem estimular
a busca por tecnologias que não agridam o meio ambiente. “A Revolução
Necessária” - este é o nome do livro – prega que as soluções precisam
ser construídas com trabalho conjunto em todos os níveis, em equipes
que reúnam indústrias, comunidades e cadeias de abastecimento globais,
para que realmente funcionem a favor da sustentabilidade. Senge cita o
exemplo do governo estadunidense que estabeleceu por decreto a
utilização do milho para fabricar etanol, como forma de diminuir a
dependência do país em relação ao petróleo. A decisão acarretou um
forte impacto na agricultura e nos negócios agrícolas em todo o mundo.
“Não seria mais indicado firmar parcerias com empresas e universidades
para buscar uma alternativa realmente sustentável?”, pergunta Senge.

Na questão do uso da energia eólica, e em outros que envolvem o
desenvolvimento sustentável, o dilema da transição é o mesmo descrito
por Senge: estabelecer parcerias que trabalhem para criar o mundo novo
de que tanto necessitamos.

* Ricardo Young é presidente do Instituto Ethos.

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