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UMA TELA DE RENOIR AO SOM DE DEBUSSY
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Raquel Crusoé  
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 Mais opções 28 set, 21:55
De: Raquel Crusoé <rloures2...@yahoo.com.br>
Data: Mon, 28 Sep 2009 17:55:42 -0700 (PDT)
Local: Seg 28 set 2009 21:55
Assunto: UMA TELA DE RENOIR AO SOM DE DEBUSSY
I Por: Raquel Crusoé Loures de Macedo Meira

Eu devia estar com os meus dezesseis anos e já era considerada uma
velha professora do Conservatório Estadual de Música Lorenzo
Fernandez, isto porque naquela época, em uma estrutura curricular bem
diferente e, já possuindo todos os diplomas necessários, fui
emancipada em cartório, pelos meus pais, a pedido da D. Marina Lorenzo
Fernandez que precisava de professores. Com a emancipação, eu poderia
lecionar legalmente, apesar da pouca idade. Comecei por lá aos treze
anos.

Neste tempo, não se vinculava a série escolar musical à série da
escola regular. Na mesma classe, atendíamos todas as idades, daí que,
antes dos meus quinze anos, eu lecionava para alunos crianças,
adolescentes e adultos. Muitas vezes, na mesma classe, atendíamos avôs
com os seus netos. Éramos uma família. Todos juntos e sempre com muita
alegria. Parecia que toda a cidade ali estudava, respondia presente e
amava aquela casa de arte, em uma harmonia sempre perfeita.

O conservatório parecia ser o centro do mundo!

Sim, estávamos em uma cidade do interior mas, pelos contatos da Dona
Marina, recebíamos os maiores nomes do Brasil, em todas as áreas da
arte, como também, continuamente viajávamos para nos aperfeiçoar nos
grandes centros.

Ali era o meu paraíso, a minha alegria, a minha vida.

Somente sabia a hora de entrar, nunca a de sair. Por lá eu alimentava
o meu espírito, a minha alma e, como eram perfeitos os meus colegas,
alunos e amigos. Ou melhor, não havia separação entre alunos, colegas
e professores. Jogávamos no mesmo time, sempre comandados por esta
figura divina chamada Marina, filha do grande compositor brasileiro
Lorenzo Fernandez.

Juro que muitas vezes não a via como humana. Parecia ter sido extraída
das Galáxias ou ter caído do céu para a nossa felicidade. Com esta
criatura maravilhosa, aprendemos a ser, pensar, agir, falar e fazer
música com o coração.

Que tempo mais lindo!

Tantas imagens, tantos sons e quantas cores. Neste momento, a minha
mente mais parece uma tela de Renoir sonorizada com a música de
Debussy.


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