11/12/2008 Manifestação por direitos humanos
*Na manhã desta quarta-feira, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos
Humanos, moradores da Maré e familiares de Matheus Rodrigues, de 8 anos,
morto na semana passada, dia 04, pela polícia militar, na Baixa do
Sapateiro, protestaram em frente à Assembléia Legislativa. O ato, organizado
por movimentos sociais de direitos humanos, contou com a participação do
MST, MTD, Movimento Humanista, ONG's e Marcha pela Paz e contra a Violência,
entre outros
Por Jornalistas Populares*
Na manhã desta quarta-feira, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos
Humanos, moradores da Maré e familiares de Matheus Rodrigues, de 8 anos,
morto na semana passada, dia 04, pela polícia militar, na Baixa do
Sapateiro, protestaram em frente à Assembléia Legislativa. O ato, organizado
por movimentos sociais de direitos humanos, contou com a participação do
MST, MTD, Movimento Humanista, ONG's e Marcha pela Paz e contra a Violência,
entre outros.
Os militantes exibiam camisas brancas que estampavam no peito a síntese do
que os levava ao ato: a morte do menino Matheus, representada através de uma
famosa charge do cartunista Carlos Latuff. Cruzes pretas foram colocadas
sobre as escadarias da Assembléia Legislativa. Depois do ato em frente à
Alerj, os manifestantes saíram em passeata até a Praça Mahatma Gandhi, na
Cinelândia, onde acontece a vigília pelos 60 anos da Declaração Universal
dos Direitos Humanos.
Mariluce Nascimento, moradora da Maré e amiga da família de Matheus,
reivindicou ao microfone do ato: "Não podemos aceitar que a polícia continue
matando na favela. Isso não é normal. Na semana passada Matheus morreu
porque a polícia o confundiu com traficante. Isso é absurdo, é desumano.
Precisamos dar um basta nessa política de extermínio", disse, emocionada.
Durante a manifestação, ainda em frente à Alerj, o grupo de teatro "Armazém
de idéias e Ações Comunitárias" (Aiacom) apresentou uma esquete. Em suas
falas e cartazes o Estado era questionado. O grupo cobrava políticas
públicas de segurança, saúde, educação, moradia, entre outras.
*Dor em família*
A mãe de Matheus, Graciele Rodrigues, participou do ato juntamente com sua
sobrinha Chayane. A prima do menino pediu justiça. "Meu primo, uma criança
de 8 anos, estava saindo de casa apenas para comprar pão e foi assassinado,
confundido com bandidos pela polícia. Eu e minha tia estamos aqui para pedir
justiça".
A dor da mãe do menino era perceptível. Ela não teve condições de dar
declarações durante o ato. Sabine Mendes, do Movimento Humanista e Marcha
pela Paz e Contra a Violência, falou sobre os 60 anos da Declaração dos
Direitos Humanos. "Estamos comemorando o aniversário de uma carta que
infelizmente continua sendo apenas uma carta. Quando nos manifestamos em
praça pública é porque só nos resta este espaço. Estamos completamente
desamparados", afirmou. De acordo com Sabine, estudos já comprovaram que com
apenas 10% do que se gasta com armamentos seria possível acabar com a fome
no mundo.
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